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quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Racismo

“Essa situação angustiosa poderia ser evitada”

A questão racial no Brasil, bem como no mundo, ainda não está resolvida a contento, pelas posturas racistas que ainda se verificam ou por uma certa intolerância a tudo o que respeita ao tema, que vê desrespeito racial em situações em que ele inexiste. Constitui censo comum, ao menos da maioria da população, acerca da impropriedade do preconceito racial, como cultura equivocada de um passado de ignorância crassa, em que a cor da pele distinguia as pessoas, assim como a vestimenta ainda hoje gera conceitos de superioridade ou de inferioridade.

Diversas campanhas e políticas públicas se desenvolvem com o objetivo de correção dessa distorção social, promovendo pessoas estigmatizadas pela cor, para igualá-las aos pares da sociedade.

Essa atuação, em várias frentes, no combate ao racismo, é positiva na perspectiva de eliminar esse mal social e possibilitar a convivência harmoniosa entre os membros das diversas etnias. Por outro lado, pode apresentar um efeito colateral de gerar uma intolerância às avessas, pelo extremo rigor utilizado na qualificação do racismo.

Se as ações racistas são censuráveis, não se mostram adequadas as posturas extremadas em contrário, porque também causadoras de danos e que inibem a espontaneidade pelo receio de incidir em ato de racismo. Esta semana, houve grande repercussão um fato ocorrido na televisão aberta, em que uma apresentadora, que havia recebido convidados para seu programa, dentre os quais, uma mulher negra, muito habilidosa na preparação de doces de coco. Em dado momento, a apresentadora pediu a essa convidada que servisse seus doces aos demais convidados, conduta tida como racista, ao submeter essa pessoa de cor à condição de serviçal daqueles que ali estavam.

Compreende-se que a postura da apresentadora, talvez não seja a mais correta, sendo mais recomendável evitar que a própria pessoa e o público em geral tivessem uma interpretação distorcida de sua atitude de pedir que os doces fossem servidos. Neste caso, é bastante provável a total ausência de sentimento racista e que, ao contrário, tenha pretendido a apresentadora enaltecer os dotes culinários da convidada, concedendo-lhe a honra de que seus doces fossem conhecidos pelos presentes, em transmissão ao vivo pela TV.

Entrementes, por força de uma intolerância em sentido oposto, que, irrefletidamente, concebe o ato racista, quando a conduta pode ter sido de dignificar, de homenagear aquela mulher de talento no ofício de confeitar doces, recebeu a apresentadora a pecha de racista e o achincalhe de muitos internautas, fato que, por certo, causou pesar a ambas as envolvidas, a apresentadora e a convidada, vítima do entendido preconceito. Essa situação angustiosa poderia ser evitada com um pouco de condescendência na apreciação da atitude da apresentadora, diante de duas alternativas opostas que se apresentavam: a intenção racista, de dar continuidade à cultura de que as pessoas de cor cumprem funções subalternas; ou a intenção altruísta, de dar destaque à pessoa, colocando-a em evidência pelas suas qualidades confeiteiras, com a oportunidade de seus doces serem ali provados e vistos por milhares de telespectadores.

Quer parecer, em análise serena, que a apresentadora desejava a segunda alternativa, sendo movida por esse intento, o que afasta qualquer desrespeito à referida convidada. Não foi assim compreendida, advindo da repercussão negativa prejuízo à própria vítima de discriminação e também da apresentadora, possivelmente inocente em sua expressão.

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