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sexta-feira, 27 de maio de 2022

Planos

‘O tempo muda tudo e apresenta surpresas boas ou ruins’

Por Carlos homem


Então, um jovem casal depois de muito sacrifício, compra uma casa. Modesta, mas é deles. Produto de economias feitas por alguns anos, juntando parte do salário de ambos, mês a mês. Muito bem. Combinam que depois de quitar toda a dívida com a compra do seu sonhado lar, farão algumas melhorias. Projetam, porque ninguém mais vive sem um carro, a edificação de uma garagem. E assim fazem. Já que mexeram na casa, aproveitam para construir também uma área de serviços.

É uma necessidade indispensável. Já planejam também que na próxima reforma farão uma sala mais ampla, e, como pretendem ter filhos, terão que aumentar a casa com mais um quarto, pelo menos. É quando aparece o primeiro filho. Os planos devem esperar um pouco porque agora a prioridade é o neném.

E os anos vão passando. E os diálogos do casal, já maduro, continuam o mesmo. Precisam trocar de carro, pegar um mais novo, se possível um zero quilômetro. Com muito esforço atingem tal objetivo, mas a casa já precisa de alguns reparos. Pelo menos uma pintura nova. O tempo, nestes particulares, sempre conspira contra o proprietário. Quando estão sós, trocam confidências e arquitetam planos ignorando as incertezas. Quando o filho se formar na faculdade que está custando uma fortuna, vão descansar.

Quem sabe fazer aquela viagem tão desejada, ou quem sabe até comprar um apartamento na praia. “Vamos nos aposentar e chega de trabalhar. Vamos aproveitar um pouco a vida que é tão curta.” Mas, as imprevisões da vida são constantes. A realidade de hoje não tem nenhuma semelhança com o dia de amanhã. Viver é uma escolha entre o velho e o novo, entre o seguro e o imponderável, entre o passado e o futuro. Tudo o que parece simples, natural, oculta uma dimensão outra, desconhecida, prestes a perfurar a superfície lisa das coisas. Por isso os planos de futuro raramente dão certos.

O tempo muda tudo e apresenta surpresas boas ou ruins. “A mesma causa de ser é causa de não ser mais”, como diria Padre Vieira. Daí, o casal quando se dá conta, já está velho. Já não tem sequer disposição para aquelas aventuras que tanto planejavam. Aquele dinheiro guardado com tanto esmero agora é gasto ajudando os filhos e os netos. Mas, quem sabe, depois que terminarem as prestações e os netos crescerem…

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