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quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Universidade de SC fará testes de vacina inédita contra toxoplasmose felina

Estudo da Udesc é pioneiro no mundo. Pesquisa é vinculada à Universidade de Lille, na França.

Pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) em Lages, na Serra catarinense, vão testar uma vacina inédita contra a toxoplasmose felina, doença atualmente sem imunizante, segundo anúncio de terça-feira (12). O estudo, pioneiro no mundo, é vinculado à Universidade de Lille, na França.

Os testes devem iniciar assim que a primeira remessa de vacinas chegar ao Brasil, embora não exista uma data prevista. O investimento é de cerca de R$ 160 mil.

O imunizante que será testado foi desenvolvido em forma de spray intranasal.

O objetivo da vacina é estimular a memória imune celular das mucosas dos felinos para reduzir ou impedir a eliminação de oocistos nas fezes, quebrando a cadeia de transmissão do Toxoplasma gondii”, explica o professor Andreas Lazaros Chryssafidis, do Departamento de Medicina Veterinária.

Chryssafidis está conduzindo o estudo junto com a equipe do Laboratório de Parasitologia e Doenças Parasitárias (Lapar), situado no Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da Udesc.

A pesquisa é patrocinada pela empresa francesa Vaxinano, que financiou a instalação da unidade experimental, que é onde serão feitos os testes, e a execução do projeto. O auxílio inclui bolsa de iniciação científica para alunos do curso de Medicina Veterinária.

Como serão os testes

Os estudos terão a participação de todo o grupo de pesquisa do Lapar, incluindo professores e estudantes de graduação, mestrado e doutorado. O desenvolvimento da vacina foi chefiado pelo professor e cientista Didier Betbeder, presidente da Vaxinano.

Toxoplasmose

A toxoplasmose é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, que pode ser encontrado nas fezes de gatos e outros felinos. Segundo Chryssafidis, a doença pode gerar graves complicações na saúde animal e humana, principalmente em gestantes e em indivíduos com o sistema imunológico debilitado.

“Mas, deve-se enfatizar que os gatos só eliminam o agente uma vez na vida e os oocistos levam pelo menos dois dias no ambiente para se tornar infectante. Então, a limpeza diária da caixa de areia dos gatos, praticamente, elimina o problema dentro de casa”, alerta o professor.

Ele explica que, quando gatos são infectados pelo parasita pela primeira vez, acabam eliminando oocistos nas fezes, que se espalham pelo meio ambiente e podem infectar diferentes espécies animais. Após o período inicial da infecção, ele entra em um estado de dormência, alojando-se por todo o corpo dos animais infectados.

O maior risco de transmissão para seres humanos é a ingestão de carne contaminada crua ou malpassada, principalmente, de animais de caça, pequenos ruminantes e suínos.

Por Sofia Mayer, g1 SC

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