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VARIEDADES

Um novo sentido à vida

Jovem de 18 anos venceu a Covid-19 após ficar em estado grave no HHAO

Por Renata Westphal


(Foto: Arquivo pessoal)/

"Milagres acontecem e eu sou a prova viva disso". É assim que o jovem de 18 anos, Samuel Aguiar dos Santos descreve a luta que vivenciou durante 15 dias internado no Hospital Hélio Anjos Ortiz (HHAO), devido a complicações da Covid-19, durante este mês.

Sem nenhuma comorbidade, o estudante da UFSC precisou ser intubado para conseguir respirar, ele recebeu alta na quarta-feira (15), e segue se recuperando em casa, ao lado da mãe Mônica e das irmãs Larissa e Milena.

"Senti medo. Quando fui extubado pensei que fosse morrer, eu vi a morte de perto e virei criança de novo, não tinha força para comer. Era emocionante ouvir a bota da minha mãe batendo no chão quando ela estava chegando para me ver.

O único contato que podíamos ter era o toque das mãos", conta Samuel. Logo que o filho ficou internado, Mônica também testou positivo para a doença e por isso podia entrar no Centro de Doenças Respiratórias para visitá-lo.

A rotina da família no hospital iniciou depois que o estudante começou apresentar sintomas da doença entre febre, tosse, dor de cabeça e no corpo. "O médico pediu para eu fazer o teste, mas eu não acreditava que era Covid, já tinha feito vários testes até então, sempre negativo. Pen ei que dessa vez fosse uma virose", conta. Mas o resultado foi positivo.

Samuel iniciou os cuidados e medicamentos contra o vírus, mas quando não conseguiu mais respirar foi com a mãe para o hospital. "Achei que ia chegar lá, ser medicado e retornaria para casa ainda no mesmo dia. Mas assim que entrei já recebi a máscara de respiração e fiquei internado na ala Covid", relembra.

"Longe da família, a equipe do hospital se tornou como uma segunda família para mim, toda minha gratidão para todos os médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e técnicos que cuidam de todos os pacientes com uma atenção especial. Não há dinheiro no mundo que pague o trabalho que eles fazem", agradece o ex-paciente emocionado.

Samuel conta que precisou de sondas enquanto ficou in tubado na UTI, ele teve 85% do pulmão comprometido e apesar do medo, sabia que os médicos estavam fazendo tudo o que estava ao alcance para salvar sua vida. "Quando precisei intubar a médica me explicou com muito carinho o que era necessário e seria feito, eu estava com muita falta de ar, minha respiração fazia um barulho muito alto. Sabia que a chance de voltar era baixa e que esse era o último recurso para o meu quadro", relata.

Samuel ficou cinco dias intubado, quando os médicos o extubaram foi um dos momentos mais críticos para ele. "Achei que ia morrer, meu corpo não respondia, voltei sem voz, os médicos disseram que poderia levar até 10 dias para falar. Meu coração acelerou e a equipe pensou que eu estivesse convulsionando", conta.

 Os médicos controlaram o quadro clínico e a partir daí, Samuel começou apresentar respostas positivas ao tratamento. Sua voz voltou logo no outro dia. "Minha recuperação foi muito mais rápida que a maioria dos pacientes, eu sei e considero isso um milagre, nem os médicos souberem dizer como minha melhora foi tão rápida", comenta.

Volta para casa

Em meio as visitas da mãe, que fortaleciam Samuel, e os cuidados da equipe médica, o paciente se apegou em Deus durante os dias de luta que passou no hospital. "Só pensava na minha família, na minha mãe e irmãs. Agora a vida tem um novo sentido, a família tem ainda mais valor. Quando cheguei em casa, a primeira coisa que fiz foi dar um abraço na minha irmã mais nova, a gente vive entre tapas e beijos, como irmãos, mas pensar que pudesse não estar mais perto delas me fez ver tudo diferente", relata.

De volta à rotina de fim de semestre do curso de Agronomia, com 60% do pulmão ainda comprometido e seguindo em isolamento por conta da baixa imunidade, Samuel ressalta que mesmo jovem, saudável e com a primeira dose da vacina, o coronavírus o deixou em estado grave e pede para que os jovens não duvidem da força e agressividade da doença. "Até no ano passado cuidei muito mais para evitar o contágio, mas com a vacina, as atividades retornando, confesso que desleixei um pouco e contraí o vírus, mas quero falar para o pessoal da minha idade que isso não é brincadeira, jovem também pode morrer pela Covid-19, eu sobrevivi, mas vi a morte de perto", ressalta Samuel, indicando que a população siga utilizando máscara, álcool em gel e se prevenindo contra o vírus que já matou mais de 250 pessoas na região.

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