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Reaprendendo a viver depois do câncer

04 Fevereiro 2018 10:47:00

Curitibanense relata sua luta e vitória sobre a doença

Rubiane Lima


"Vejo como a principal vitória da minha vida", afirma Ivone. (Foto: Rubiane Lima)

Foi em outubro de 2014 que a curitibanense Ivone Dolberth do Prado recebeu a notícia que mudou sua vida. Depois de exames de rotina, realizados na campanha Outubro Rosa, ela descobriu que estava com câncer de mama no seio esquerdo e, desde então, travou forte batalha contra a doença. Neste domingo (4), Dia Mundial Contra o Câncer, ela comemora sua vitória, depois de meses de tratamento.

Ivone descobriu a doença aos 49 anos e lembra que, no primeiro momento, a tristeza a abateu, além do medo e da incerteza sobre seu futuro. Mesmo sendo técnica em Enfermagem, ela trabalhava com bebês recém-nascidos e não tinha conhecimento sobre o câncer. "Fui atrás de livros para entender a doença. Nesse momento, a Internet é o pior caminho, pois quanto mais lemos e vemos fotos mais temos a certeza de que vamos morrer e que nossa doença não tem cura", diz. 

Depois que ela fez a primeira mamografia, o médico pediu para repetir o exame, seguido de ultrassom e biópsia, que confirmou o nódulo. "Eu não sentia nada muito diferente como sintoma, não tinha dores, só sentia um cansaço extremo o tempo todo, mas pensava que era pelo meu trabalho, que nos exige bastante", conta. Depois do diagnóstico confirmando o câncer, Ivone decidiu erguer a cabeça e ver tudo aquilo somente por um lado positivo.

"Eu não tinha como fugir da doença, então, decidi que iria enfrentá-la da melhor maneira possível", lembra.

Todo o tratamento foi realizado em Joaçaba e Lages. Segundo Ivone, foi um período difícil, pois a quimioterapia a deixava muito abatida, mas ela focava o pensamento em vencer e planejar o futuro. No total, Ivone fez oito sessões de quimioterapia em Joaçaba e 25 de radioterapia em Lages. Para ela, o mais difícil foram as radioterapias, por precisar permanecer em uma máquina fechada e ter pânico de espaços pequenos, mas sempre manteve a confiança de que iria vencer o câncer.

No dia 31 de março de 2015, ela fez uma mastectomia radical, retirando todo o seio esquerdo. "No primeiro momento, senti ter perdido meu peito, mas o que me deixou mais triste foi perder meu cabelo durante o tratamento", revela, acrescentando que Curitibanos ainda é uma cidade com muito preconceito com quem é portador de alguma doença. "As pessoas não disfarçavam, ficavam olhando diretamente para o meu peito e para a minha careca. Sofri muito até conseguir assumir que estava sem cabelo, pois não me adaptei à peruca nem a usar lenços", lamenta.


"Sofri muito até conseguir assumir que estava sem cabelo", lembra Ivone. (Foto: Acervo pessoal)


A última radioterapia de Ivone foi em janeiro de 2016, quando encerrou o tratamento. Agora, ela segue com medicação e consultas mensais, mas sem precisar mais de quimio ou radioterapias. Além disso, Ivone fez a reconstituição da mama em 2017 e está na fila de espera para colocação de silicone. Hoje, ela garante que, depois da doença, reaprendeu a viver.

"Antes eu não tinha tempo para nada, estava sempre trabalhando ou fazendo faxina na minha casa; agora, arrumo tempo para tudo e entendi que nada do que temos aqui vamos levar depois da morte, então, precisamos é aproveitar o que temos na terra", avalia.

Mãe de dois filhos, Adriano e Marcos Eduardo, Ivone garante que, além de vencer o câncer, uma de suas principais alegrias será conhecer o neto Eduardo, que nasce este ano. "Minha família, amigos e o pessoal da igreja foram minha principal base para enfrentar tudo que passei; se não fossem eles, não teria tanta coragem para enfrentar o tratamento", relata, garantindo que, sem sequelas, sente orgulho da cicatriz da mastectomia. "Há quem veja como símbolo de derrota, mas eu vejo como a principal vitória da minha vida, quando tive a oportunidade de viver e continuar com a minha família", conclui.

Por todas as dificuldades pelas quais passou na luta contra o câncer, Ivone aconselha que todas as mulheres façam seus exames regularmente e, se precisarem, enfrentem a doença com a cabeça erguida e a certeza de que vão sair vitoriosas do tratamento.



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