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O papel do educador diante da inversão de valores

28 Abril 2018 10:37:00


(Foto: Divulgação)


Por Luis Antonio Namura Poblacion  

Engenheiro Eletrônico pelo ITA e atua na área de educação há mais de 35 anos 


Educar tem sido missão cada vez mais difícil nos dias atuais. Não só pelos muitos recursos digitais e tecnológicos que parecem 'roubar' a infância das crianças, como pelos comportamentos expostos na mídia e em redes sociais que as hipnotizam com conteúdos que estimulam o consumismo, o desperdício e as 'trolagens' entre as pessoas.

O mundo virtual vem progressivamente confundindo seus limites com os do mundo real no cotidiano de crianças e adolescentes. O celular e a Internet têm mudado a forma de se relacionar com a família, os amigos e os professores. Como convencer uma criança de 5, 6 anos, por exemplo, de que determinado comportamento é errado quando ela assiste na Internet adultos adotando o mesmo comportamento como se fosse algo legal? E, pior, o tal 'adulto' ainda é idolatrado e, muitas vezes, detém boa posição social 

Essa inversão de valores chega às escolas, interfere diretamente no comportamento das crianças em sala de aula e, consequentemente, na relação que esse aluno tem com os demais colegas e com seus educadores.

O professor, que detém autoridade, vem enfrentando cada vez mais dificuldades para impor disciplina e respeito e começa a lidar com sérios problemas, como o aumento da agressividade infantil, a transgressão de regras e a violação dos direitos alheios, entre outras questões. 

Diante de tal situação, como o professor deve agir para evitar a disseminação de atitudes agressivas e sem limites, passando do âmbito individual de cada aluno para o coletivo? 

É preciso entender o porquê de tais comportamentos. A mídia e as redes sociais são parte do problema, mas eles podem ter origem também na falta ou fragilidade de referências morais e afeto, transtornos familiares como violência doméstica ou dificuldade dos cuidadores em estabelecer limites e regras; além de conflitos emocionais, barreiras socioeconômicas ou até distúrbios cognitivos ou mentais. 

Mas, diante da multiplicidade de causas e consequências, é insensato buscar receitas mágicas. O que deve ser buscado gradualmente é a construção e o fortalecimento da confiança e do respeito por meio do diálogo. 

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