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Muito mais que um salvamento: um sopro de ar, uma esperança na vida

14 Julho 2018 09:27:00

Karol Pinto


(Foto: Thai Navy SEALs)


A caverna da Tailândia era escura, apertada e úmida. As condições de sobrevivência, as piores possíveis. Faltava comida, faltava amor, faltava esperança.

O caminho de ida, infelizmente, não era o mesmo caminho da volta (nunca é, tudo muda o tempo todo no mundo). Antes, o trajeto era sinônimo de diversão, de aventura. Depois, fora tomado por volumosas e turvas águas. Inebriado pelo caos devidamente instaurado.

Lá dentro, apenas um adulto, crianças e muito medo. Aqui, do lado de fora, bilhões de pessoas que, indiferente da forma como exercitam a fé, oravam e clamavam pelo resgate. Os corações mais frios se sensibilizaram.

Os dias foram passando, o mar de lágrimas encorpava cada vez mais, vindo das famílias desesperadas que não viam seus filhos retornarem. Fez-se vigília, a comoção tomou o mundo.

De certa forma, também nos sentíamos presos, o nó na garganta quando pensávamos no sofrimento daquele grupo, também nos sufocava.

Na busca pela salvação, uma vida foi perdida. Na verdade, ela não se foi em vão, mas doou-se a um motivo mais que nobre: colocar a integridade e segurança do próximo em primeiro plano.

Orientadas pelo técnico e amigo, aquelas crianças meditaram a maioria do tempo. Tranquilizaram, dentro do possível, os corações e as mentes. Desta forma, os corpos também desaceleraram, como se soubessem que pela frente teriam um longo período de jejum, de restrições, de provações.

Do lado de fora, um grande evento, milimetricamente organizado, envolveu multidões, logística, equipes qualificadas e muita torcida. Não, não estou me referindo a Copa do Mundo (ofuscada), mas sim a missão de resgate. Esta sim, não teve segregação nem miscigenação. Uniu-nos. Mostrou que somos da espécie "gente", vestimos a mesma camisa, indiferente de seus símbolos e tons.

E das várias lições que tiramos disso tudo, quem sabe, a mais valorosa delas, é que é possível crer na humanidade e na força poderosa da energia emanada pelas pessoas de bem. E aqueles tubos de oxigênios que mantiveram os meninos, treinador e socorristas vivos enquanto retornavam para a luz, para fora daquela caverna, de certa forma, me trouxeram um sopro de ar, uma esperança na vida.


 









Karol Pinto - Jornalista




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