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ESQUEÇA O CAPACITISMO E REPENSE: SER 'NORMAL' VALE TANTO?

18 Agosto 2018 08:30:00


Luiz Henrique Zart - Jornalista e professor universitário 

Caminhar. Era o que eu fazia numa noite qualquer, indo dar aula na universidade. Me deparei com um sentimento ao qual já deveria estar acostumado, mas não estou. Algo que não me atingiu uma, duas, dez vezes; muitas mais: a sensação de que os olhos do outro que cruza o caminho te revistam, desconcertam, até desumanizam. Pois bem: tenho mobilidade reduzida, uma alteração na marcha que me faz andar com dificuldade, de um jeito, digamos, diferente. Apenas. E, como muitas pessoas com deficiência, causo estranheza. Por isso, falar de capacitismo importa.

Essa atitude discriminatória naturaliza as capacidades corporais e percebe como incapaz qualquer pessoa que não enxergue, ouça, fale, pense ou ande, e dita como tudo deve funcionar. Assim, segrega, hierarquiza, dificulta a inclusão e a acessibilidade aos espaços em sociedade, considerando certos corpos como inferiores ou incompletos se comparados a padrões tidos como "normais". Pare para pensar o que é ser normal.

"DEFICIÊNCIA NÃO SIGNIFICA INEFICIÊNCIA"

E esqueça. Pessoa com deficiência é o termo. Não é especial - isso somos para quem nos ama -, não é deficiente - uma pessoa reduzida à sua condição -, nem portador de necessidades especiais - essas todos temos, e só "porta" algo quem pode deixar de portar. É fundamental combater preconceitos e o senso comum, e dizer: este é apenas mais um modo de vida. Com sujeitos não menos capazes - condenados à dependência e à eterna necessidade de ajuda. Não são heróis nem coitados. Precisam, sim, de condições para serem e estarem no mundo de acordo com suas condições e capacidades. De trabalhar, estudar, amar, viver. Nada "apesar" da deficiência, que é parte integrante da identidade desse alguém.

Deficiência não significa ineficiência. Essa distinção vem da invisibilidade social e política à qual essas pessoas são submetidas em um mundo que não dá autonomia a todos. Então, se cada um tem o próprio corpo, respeitar e ter empatia é o mínimo a se fazer. Sem compaixão ou pena; piadas, olhares tortos ou qualquer coisa do gênero. Lute contra o capacitismo já. Afinal, que dane-se a normalidade. Vivamos nossos corpos como eles são, aceitando que somos, todos, diferentes.


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