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O que é autofagia, o processo que pode fazer você perder peso e viver mais

13 Maio 2018 07:00:00

A autofagia foi descoberta na década de 1960, mas sua importância fundamental só foi reconhecida após uma pesquisa que rendeu o prêmio Nobel de Medicina ao cientista japonês Yoshinori Ohsumi, em 2016. Agora, há uma corrida em curso pela busca de medicamentos, dietas e práticas que estimulem o processo.

Por BBC


O cientista Yoshinori Ohsumi ganhou o prêmio Nobel de Medicina por suas descobertas sobre os mecanismos da autofagia (Foto: Reuters) 

Um processo científico pouco conhecido está sendo anunciado como a nova forma de perder peso, parecer mais jovem e prolongar a vida.

A autofagia é um processo de regeneração natural que ocorre em nível celular no corpo, reduzindo a probabilidade do surgimento de algumas doenças, além de aumentar a longevidade.

Em 2016, o cientista japonês Yoshinori Ohsumi ganhou o Prêmio Nobel de Medicina por suas descobertas sobre os mecanismos da autofagia. Estes mecanismos levaram a uma melhor compreensão de doenças como Parkinson e demência.

Desde então, companhias farmacêuticas e estudiosos têm corrido para encontrar medicamentos que estimularão o processo, e especialistas em dieta e bem-estar têm aproveitado a onda alegando que o processo pode ser induzido naturalmente por jejum, exercícios de alta intensidade e restrição ao consumo de carboidratos.

Então o que os cientistas dizem?

"Certamente as evidências de experimentos em camundongos sugerem que esse seria o caso", disse David Rubinsztein, professor de neurogenética molecular da Universidade de Cambridge e do UK Dementia Research Institute (Instituto de Pesquisa em Demência do Reino Unido, em tradução literal).

"Há estudos em que se tem ativado o processo usando ferramentas genéticas, medicamentos ou jejum, e nesses casos os animais tendem a viver mais tempo e a estar em melhor forma geral."

O professor disse que ainda não está claro, no entanto, como isso é traduzido para os humanos.

"Por exemplo, em camundongos, você vê os efeitos do jejum no cérebro em 24 horas, e em algumas áreas de seu corpo, como o fígado, muito mais rapidamente. Mesmo sabendo que o jejum é benéfico, não sabemos exatamente, porém, quanto tempo os humanos precisariam jejuar para ver os benefícios ", disse Rubinsztein.

Ele acrescentou que o jejum estimula a autofagia e que seus benefícios também foram comprovados por outros estudos.

O que é autofagia?

A autofagia foi descoberta pela primeira vez na década de 1960, mas sua importância fundamental só foi reconhecida após a pesquisa de Yoshinori Ohsumi nos anos 90.

"O que descobrimos é que ela protege contra doenças como Parkinson, Huntington e certas formas de demência", disse Rubinsztein.

"Também parece ser benéfica no controle de infecções, bem como na proteção contra inflamação excessiva".

Novos livros de estilo de vida estão dizendo que o processo pode ser "ativado" por mudanças em nossa dieta e estilo de vida, como o jejum - já popular entre muitos seguidores da Dieta 5:2 ou Dieta do Jejum.

Massa muscular

Um novo livro, Glow 15 de Naomi Whittel - que diz ser uma "exploradora de bem-estar" - estabelece um programa de 15 dias que inclui 16 horas de jejuns três vezes por semana, redução do consumo de proteína em alguns dias, ingestão de carboidratos no final do dia e períodos de exercício de alta intensidade.

Em testes básicos do programa em voluntários da Universidade de Jacksonville, na Flórida, ela diz que verificou diversos benefícios.

"Algumas pessoas perderam peso, até 3 quilos em 15 dias. Outros perceberam alterações na pressão arterial e melhorias na massa muscular magra", diz ela.

Rubinsztein afirma que nenhuma dessas recomendações de estilo de vida vai fazer mal algum a uma pessoa.

"E se você tem um estilo de vida ruim, se está sempre "beliscando" entre as refeições principais e comendo alimentos de má qualidade, não teria então a oportunidade de ativar (esse processo)", diz ele.

Células nervosas

Evidentemente, jejuar em excesso não é uma boa ideia e qualquer pessoa que queira fazer grandes mudanças em sua dieta ou estilo de vida deve antes consultar um médico.

Rubinsztein está otimista sobre os benefícios futuros da autofagia para o tratamento de doenças.

Seu laboratório descobriu que as proteínas se formam em grupos nas células nervosas de pessoas com doenças como Alzheimer e Parkinson.

"Descobrimos que, se você ativar a autofagia, remove essas proteínas rapidamente e protege contra doenças neurodegenerativas como as de Huntington e formas de demência".

Ele espera que um dia possa haver medicamentos disponíveis para intensificar a autofagia. Uma esperança, aparentemente, compartilhada por muita gente.

Recentemente, foi divulgado que uma nova empresa nos Estados Unidos, a Casma Therapeutics, recebeu US$ 58,5 milhões (R$ 198,25 milhões) para pesquisar novos medicamentos para intensificar a autofagia.

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