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OUTUBRO ROSA

Guerreira de escudo pink

Paciente vence batalha contra o câncer de mama e aconselha as mulheres a cuidaram de si

Renata Westphal


Silvia venceu a batalha contra o câncer de mama (Foto: Renata Westphal)/

A curitibanense Silvia Maria da Veiga sempre foi referência de força pelos lugares onde passou. Casada, mãe de três filhos e avó de dois netos, com um ainda em gestação, a moradora do bairro São José nasceu em uma família humilde, trabalhou por anos na agricultura, depois em casas de família e, durante anos, viveu o dia a dia de uma forma muito comum para boa parte da população: quase sem tempo.

Sempre muito atarefada, Silvia cuidou de tudo e todos ao seu redor, mas, em uma noite, ao se virar na cama, em um toque, a guerreira sentiu que chegava a hora de cuidar de si. "É uma data que nunca vou esquecer: em 9 de fevereiro, eu estava deitada e senti um caroço no meu seio no momento em que me virei. Guardei vários pensamentos para mim e, sem contar para ninguém, procurei um médico e fui fazer exames", relembra Silvia.

Foi no início do ano passado que a curitibanense descobriu que fazia parte das 2,1 milhões de mulheres que enfrentam o câncer de mama no mundo. A partir de então, iniciou-se uma batalha da qual Silvia saiu vitoriosa. No dia 12 de setembro deste ano, a curitibanense recebeu alta médica e, agora, monitora sua saúde, de três em três meses, para acompanhar a doença.

Aprendendo a se cuidar 

Durante os quase dois anos entre diagnóstico, tratamento, cirurgia e alta, Silvia passou por situações que nunca havia imaginado. "Sempre pensamos que vai acontecer com o outro", ressalta a guerreira, que nunca havia passado ou mesmo acompanhado alguém próximo em um tratamento de saúde parecido com o seu.

Ela recorda que, assim que fez o ultrassom e o médico a alertou sobre o que poderia estar acontecendo, ficou em choque. Segundo Silvia, começou a passar um filme em sua cabeça e surgiram vários questionamentos sem resposta: "quanto tempo tenho?", "O que fiz?", " O que deixei de fazer?". Depois de informar a família e iniciar o tratamento, a guerreira passou a frequentar o hospital de Joaçaba a cada 20 dias.

Com a boa evolução do quadro durante a quimioterapia, Silvia continuou trabalhando. Sem nunca deixar a doença ser mais forte que ela, a paciente conciliou tratamento - totalmente feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) - e sua rotina normal nos dois primeiros meses de quimioterapia; depois disso, adaptou suas tarefas ao que o corpo suportava e, então, Silvia, que sempre cuidou de tudo e de todos, passou a cuidar realmente de si.

Entre diversos desafios, incluindo momentos de recaídas e preconceitos, ela destaca que o momento mais complicado durante a batalha foi ver seus amigos e parentes próximos sofrendo pela sua condição. "Eu tive de ser mais forte que todos. Ver minhas amigas chorando por mim foi, de longe, o mais difícil", relembra, afirmando que nunca se colocou na condição de doente e poucas vezes falou o nome da doença quando o assunto era sua saúde. "Eu enfrentei tudo sem admitir que aquilo me pertencia. Enfrentei uma batalha e agora acabou. Eu nunca coloquei um lenço na cabeça, porque, assim, me via doente e eu não aceitava estar doente. Usei turbantes, bonés, depois assumi a careca e, agora, meus cabelos já estão voltando", comemora.

Lições de uma guerreira

Para as pessoas que enfrentam o mesmo problema, Silvia orienta que tenham fé em Deus e nelas mesmas. "Hoje, sei que preciso realmente cuidar de mim, porque são poucas as outras pessoas que também cuidam de mim. Agora, me coloco em primeiro lugar", reflete.

Já a quem acompanha um paciente em tratamento contra o câncer, a vitoriosa orienta que nunca julgue alguém pela condição que está, não julgue os lenços, as proteções ou as marcas no corpo. "Nunca olhe com pena ou dó para quem está enfrentando isso. Para ajudar alguém nessa batalha, é preciso, em primeiro lugar, nunca a colocar em condição de doente", aconselha.



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