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Seminário vai incentivar a produção de jundiás

Por Mauro Maciel / CL+


O diretor de Agricultura e Pesca, Nelson Beretta, avalia a produção na localidade de Santa Terezinha do Salto, propriedade de Mario Schumacher - Foto: Epagri/Divulgação

Ampliar a renda do produtor rural da Serra Catarinense de forma simples e sem a necessidade de contratar mão-de-obra. A proposta é do projeto de piscicultura desenvolvido pela Epagri e pela Secretaria de Agricultura de Lages, que estimula a produção de jundiás.

Esse será o tema do IV Seminário Regional de Piscicultura, que será realizado nesta quinta-feira (10), no Parque de Exposições do Conta Dinheiro, em Lages, durante a feira multissetorial Expolages.

O evento terá palestras sobre o cultivo do jundiá, piscicultura catarinense, emissão de Guia de Transporte Animal (GTA) para peixes e depoimentos de empresas que já atuam no setor. Esta é a segunda vez que o evento será realizado durante a Expolages, no ano passado foi em Otacílio Costa.

O projeto está em andamento na região. Como se trata de uma atividade relativamente nova, a Epagri criou Unidades de Referência Tecnológica (URT), por meio das quais o produtor rural entra com o espaço e recebe toda a orientação técnica.

"Não temos um histórico sobre essa produção e, a partir das URTs, poderemos precisar o quanto essa atividade é rentável", explica Pedro Donizete de Souza, extensionista rural da Epagri.

A última unidade de referência foi implantada em uma propriedade de Mario Schumacher, em Santa Terezinha do Salto, em Lages. A escolha do local teve a participação de Nelson Beretta, especialista que já atuou na Epagri e agora colabora com a Secretaria de Agricultura.

A implantação ocorreu em 12 de julho. "Temos que acompanhar para desenvolver uma referência, ver quanto se investiu em equipamentos, ração e outros insumos e ver quanto deu de lucro. Quando der um ano, a Epagri vai fazer um dia de campo para apresentar todos os dados", aponta Donizete.

Nas URTs, tudo é analisado periodicamente, desde a turbidez da água até o tamanho dos alevinos. Desta forma, calcula-se a quantidade exata e o tipo de ração. A expectativa é que em um ano os peixes atinjam entre 950 gramas e um quilo de peso, o ideal para o abate comercial.

A escolha pelo jundiá se deve ao fato de o peixe ser bem adaptado ao clima da Serra Catarinense. A tilápia é muito apreciada pelo consumidor, mas só pode ser produzida de novembro a maio. Nos meses mais frios, ela morre nos açudes, causando prejuízos. A truta é outra opção, mas exige água fria e corrente, características que não podem ser atendidas em qualquer propriedade rural.

Produtores já criam para subsistência

A maioria das propriedades rurais da Serra Catarinense já possui açudes. Geralmente, a atividade é desenvolvida para o lazer e ou subsistência, sem critérios técnicos. Pedro Donizete de Souza, extensionista rural da Epagri, explica que a proposta do projeto é permitir a produção sem complicar a vida do agricultor.

Como o jundiá necessita de duas alimentações diárias, de manhã e próximo ao anoitecer, a atividade pode facilmente ser incorporada à rotina dos funcionários, sem a necessidade de contratação de pessoal.

Atualmente, além do jundiá, carpas, tilápias, pacu e catfish são encontrados nos açudes. A maioria, porém, não chega ao mercado. Mesmo assim, estimativas apontam que a produção anual chega a 370 toneladas. Menos de um terço, 90 toneladas/ano, são produzidas para fins comerciais.

Bem acompanhada, a produção de jundiás pode atingir 30 toneladas/ano por hectare. Em uma conta rápida, calculando um custo alto, Donizete aponta que o produtor pode obter R$ 1 mil de renda/mês por hectare. Isso sem inviabilizar outras atividades rurais.

Jundiás podem ser comercializados para todo o Brasil

Para Pedro Donizete de Souza, extensionista rural da Epagri, o mercado é carente de jundiás. Na feira do peixe vivo, realizada em Lages, esse tipo de peixe esgotou rapidamente. Instalada às margens da BR-116, em Lages, a empresa Belo Peixe trabalha abaixo de sua capacidade porque a região não produz quantidade suficiente de peixes.

A Belo Peixe é habilitada para abater trutas e jundiás e fez parceria com a Epagri para ampliar a produção regional. "A empresa tem a estrutura de abate mais moderna do Brasil e está ociosa. Quem produzir tem venda garantida", afirma o extensionista rural. Quem aderir ao projeto de produção de jundiás, receberá alevinos produzidos na unidade da Epagri de Itajaí.

Feira do peixe vivo

9.860 peixes vendidos, totalizando

14.790 quilos, o que rendeu

R$ 199 mil aos produtores

Produção comercial (em Kg)

21.650 tilápias

14.000 trutas

14.000 catfishes

12.700 carpas-cabeça-grande

8.500 jundiásFonte: Epagri / Base: 2019



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