37 anos.png
37 anos.png
  
banner-ki-sbaor.png
JORNAL-PC-NOVA-CONF.png
VARIEDADES

Profissão herdada de geração

Mãe passou para filha a profissão de empregada doméstica

Por Renata Westphal


(Foto: Renata Westphal)/

O próximo dia 22 é marcado pelo Dia Internacional do Trabalho Doméstico. Quem conhece muito bem a função, há 40 anos, é a curitibanense de coração Inalva de Oliveira Lins (Naca), que desde os 17 anos trabalha como empregada doméstica, profissão que aprendeu com a mãe Dalva de Oliveira, ainda criança. 

No começo, Naca acompanhava a mãe durante o trabalho. "Lembro que ela trabalhava na casa de uma família em que o filho não gostava de comer, ele tinha minha idade, um dia a acompanhei no trabalho e almoçamos todos juntos. Por me ver comendo, o filho da patroa também começou a comer. A dona da casa pediu para que minha mãe me levasse com ela todos os dias", relembra Naca. 

Aos 89 anos, Dalva conta que começou a trabalhar ainda muito nova, auxiliando o pai na roça e depois em casas de famílias, o que a ajudou na criação das filhas Naca e Marisa e mais 18 filhos de coração. "Eu ajudei a criar vários sobrinhos, filhos de vizinhos, e minhas filhas também, tudo com o trabalho de doméstica e ajuda que os patrões nos davam. Sempre tive muita sorte em ter bons patrões", comenta Dalva, que durante a pandemia está morando com a filha Naca, em Curitibanos, mas reside em Lages. 

Também sobre o relacionamento com patrões, Naca destaca que hoje trabalha para uma família muita especial em Curitibanos, mas sabe bem que essa não é uma realidade para todas as colegas de profissão. "O maior desafio do nosso trabalho é a falta de valorização humana. Eu sou muito bem tratada pela família onde trabalho, mas escuto desabafos de colegas que não têm a mesma sorte que eu", lamenta. A moradora do bairro São José relata que já trabalhou de vigilante e percebeu na pele, o preconceito sofrido pelas domésticas. "Eu era vigilante e me ofereci para cobrir uma vaga de limpeza que havia na empresa, as pessoas que me cumprimentavam antes, não conversavam mais comigo quando fui para a limpeza", conta.

(Foto: Renata Westphal)/

Mãe e filha têm orgulho da função que cumprem e principalmente das relações que construíram em seus ambientes de trabalho. "Nossa função vai muito além de limpar uma casa, nós cuidamos de quem mora lá, cozinhamos, passamos e cuidamos até dos bichinhos. Nos tornamos parte da família, eu tomo café da manhã, almoço e tomo café da tarde com a família onde trabalho", conta Naca, que há poucos dias teve de se afastar do emprego por problemas de saúde. 

Aposentada há alguns anos, Dalva conta que com o trabalho doméstico chegou acompanhar famílias em viagens aéreas. "Ninguém nem imagina, mas eu viajei de avião trabalhando para uma das famílias por onde passei. Trabalhei em Lages, Porto Alegre e Matinhos. Trabalhei até para o ex-governador Celso Ramos", conta orgulhosa, que também trabalhou de cozinhei ra para o Batalhão do Exército e se aposentou trabalhando no Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV), em Lages. Amantes da cozinha, mãe e filha continuam o trabalho doméstico inclusive nas horas de folga, cuidando da casa onde moram. Marcadas pelo capricho e zelo, Naca e Dalva destacam que a principal característica da profissão deve ser a confiança. "Sem confiança, não adianta saber fazer todo o resto, esse é o principal de todas as profissões" ressalta Naca, que hoje divide seu tempo livre entre cuidar da mãe, estudos de reiki e produção de artesanatos. 

Ela aconselha que independente da profissão, todos devem trabalhar com o que gostam. "Daqui não levamos nada, o importante é estarmos bem e felizes onde estamos, por isso é tão importante cuidarmos dos outros para que sejamos cuidados também", destaca a mãe de Alexsandro, avó de Amanda e Luiz Gabriel e bisavó de Artur


OculoseCia.gif
Conexão master site.png

Jornal "A Semana" | Rua Daniel Moraes, 50, bairro Aparecida | 89520-000 | Curitibanos | (49) 3245-1711