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VARIEDADES

O segredo da vitalidade - curitibanense completa 100 anos de vida

Centenária diz que alimentação é essencial para a saúde

Por Renata Westphal


(Foto: Renata Westphal)/ 

A última terça-feira (20), foi motivo de muita comemoração para a curitibanense Dovercina da Cruz Petris, que completou 100 anos de vida, inspirando vitalidade, saúde e alegria aos seus familiares e amigos. 

Nascida na localidade de Horizolândia e atualmente moradora do bairro Santo Antônio, Dovercina é a primeira integrante da família a atingir o centenário. Mulher de muita fé, força para o trabalho, calma e riso fácil, ela demonstra aos flhos, netos, bisnetos e tataranetos o segredo para a longevidade. "Acredito que meu segredo é uma boa alimentação. Costumo comer de duas em duas horas e gosto de muita fruta e verdura", comenta Dovercina, que apesar do corpo já não permitir atividades tão intensas, relembra com orgulho sobre o tempo em que morou no Campo da Roça, cuidava da lavoura com frutas, verduras e fumo. Com o marido João Petris, com quem se casou aos 23 anos, ajudava a limpar igreja e trabalhava como merendeira, preparando as refeições para alunos da escola da localidade. 

Dovercina conta que naquele tempo ia a pé do Campo da Roça até a prefeitura do município, onde hoje é o Museu Histórico Antônio Granemann de Souza, para receber seu salário, andava a cavalo e utilizava carroça para vender lenhas que ela mesmo cortava. Além do cuidado com a família, casa, merendas e lenhas, Dovercina dividia seu tempo com a costura, depois de aprender técnicas com a mãe. "Eu fazia ternos e cobrava seis mil réis, aprendi a costurar com a mãe e depois algumas vizinhas também me ajudaram", relembra sorrindo. 

E é este sorriso uma das características mais marcantes da curitibanense, que mesmo enfrentando adversidades, ensina aos mais jovens a importância da serenidade para a manutenção da saúde. Dos 10 filhos que teve, Dovercina perdeu quatro, além do marido, e apesar da saudade, a centenária torna sua fé maior que qualquer dor. "Rezo todos os dias, lembro da Ave Maria, Santo Anjo e assisto as missas das 9 e das 18 horas", conta relatando, ainda, que sempre está de bom humor e durante os 100 anos de vida, nunca teve nenhuma intriga. 

Acompanhada da melhor amiga para manter os passos firmes, Dovercina utiliza muleta para se locomover, mas com uma saúde de ferro, utiliza apenas dois remédios contínuos para controlar a pressão. "Aos 40 anos tive que parar de trabalhar por conta de problema no coração, na época um médico me disse que meu coração estava por um fi o e eu não poderia mais me esforçar tanto, desde então parei de fazer as merendas, mas meu coração continua bom", conta rindo. Após sofrer algumas quedas, Dovercina toma cuidado redobrado com os ossos, alertando que já não pode mais segurar as crianças da família no colo, mas quando jovem relembra que chegou a subir em pinheiros com cerca de 10 metros de altura para colher pinhão. "Havia muito pinheiro por aqui e naquela época ninguém vendia, o pinhão era colhido para comer e compartilhar com os vizinhos, tudo era dado para os outros", conta. Ainda sobre a volta ao passado, Dovercina se diverte sobre a chegada do primeiro carro em Curitibanos. "Por aqui só tinha carroça e o primeiro carro que chegou na cidade foi um jeep preto, as crianças se escondiam quando viam, porque sentiam medo, elas achavam que era um bicho", conta.

Apesar da boa saúde, há alguns anos Dovercina mora com a filha Ciclene e o genro Néliton para que seja acompanhada diariamente. Por contada pandemia, o aniversário de Dovercina foi comemorado com visitas dos filhos, netos e bisnetos, evitando aglomerações, mas foi marcado por muita união, bolo, sorrisos e felicidade, assim como Dovercina tem vivido há 100 anos.  


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