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VARIEDADES

Memórias de uma farda

Sargento Jânio trabalha há mais de 30 anos na PMSC

Por Renata Westphal


(Foto: Renata Westphal) 

Servindo há mais de 30 anos para a Polícia Militar de Santa Catarina, o sargento Jânio Mario de Oliveira, da Guarnição Especial de Curitibanos (GECt) reúne diversos motivos para comemorar o próximo 24 de junho, marcado pelo Dia Nacional do Policial e do Bombeiro Militares. O policial, que entrou para a corporação em 16 de agosto de 1989, viveu as transformações históricas que a instituição passou ao longo de três décadas.

Há poucos meses de entrar para a reserva, Jânio relembra sua trajetória de farda, entrelaçada por experiências como policial militar rodoviário e até bombeiro comunitário, vivências que o fizeram planejar novos rumos para os próximos anos: Jânio pretende cursar Medicina ou Enfermagem. A curiosidade e paixão pela área da saúde surgiu pela necessidade de conhecer procedimentos de primeiros socorros, já que a profissão de polícia também exige cautela e cuidado no dia a dia. Filho de Pedro Airton de Oliveira e Maria Paulina Nascimento de Oliveira, o lageano Jânio é o único militar da família, serviu ao exército aos 20 anos e ao tentar cursar em um seminário, ouviu de um padre que deveria ser policial, pois tinha o perfil. "Foi em Passo Fundo, entrei para o seminário, mas lá um frei disse que eu deveria ser policial. E foi assim, em 1989 passei no concurso, me formei em Blumenau, trabalhei em Gaspar e em 1991 cheguei em Curitibanos", conta.

O sargento relembra dos atendimentos a ocorrências nas estradas de chão, das conduções de pessoas ao hospital, na época que Curitibanos ainda não tinha Samu, e que telefone celular e câmera fotográficas eram raridades. "Naquela época era comum atendermos partos, era tudo muito diferente. Sempre auxiliamos muito a comunidade. Participei de várias ocorrências de atendimentos de mulheres grávidas, e era comum elas darem à luz ainda na Avenida Altino Gonçalves de Farias", relata Jânio. Entre as ocorrências mais marcantes, o curitibanense de coração relembra tragédias que marcaram a história do município, entre elas o caso "Bugiu" em que uma família foi morta; o desaparecimento da enfermeira Denise; rebelião na penitenciária de São Cristóvão do Sul, com a morte de Esmeralda; e a execução do sargento Dolberth, no bairro Bom Jesus. "Foi nos anos 1990, depois do crime, policias de vários lugares vieram para Curitibanos para prender os acusados, foi uma caça de 48 horas, naquela mesma noite os criminosos praticaram dois homicídios e nós conseguimos prendê-los", conta.

(Foto: Arquivo Pessoal/ Divulgação) 

Ao longo de 30 anos, mesmo com toda a evolução tecnológica, com a chegada de câmeras, tablets e equipamentos de atendimento móvel, para o sargento, o que mais mudou para a PMSC foi a evolução intelectual. "Ao decorrer dos anos, ficamos cada vez mais próximos de todos da corporação e da sociedade, conquistamos mais dignidade policial garantindo nosso direito ao voto, auxiliamos a população com o Proerd, Rede de Vizinhos e Polícia Comunitária, e construímos um relacionamento melhor com comandantes e oficias da corporação o que contribui para o aprimoramento dos nossos trabalhos", destacou, ressaltando que o índice de criminalidade em Curitibanos caiu ao longo dos anos.

Com o perigo entre o mal e o bem cercando a rotina policial, Jânio buscou conhecimento de atendimento para primeiros socorros no Corpo de Bombeiros, depois de fazer parte do grupo de bombeiros comunitários se apaixonou pela área de saúde. "Aumentou muito o número de agressões contra policiais, por isso ter conhecimento pré-hospitalar é tão importante para a profissão, às vezes, podemos salvar a vida de um colega", comenta. Depois que entrar para a reserva, aos 52 anos, o pai de Gabriel, Sophia e Arthur, e esposo de Carla Cleia Clunther, não deixará de buscar conhecimento e vai utilizar este tempo, para aprofundar seu aprendizado na área de saúde.

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