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VARIEDADES

Determinação pelo conhecimento

Moradora de Curitibanos retornou aos estudos aos 39 anos

Por Renata Westphal


(Foto: Renata Westphal)/

Foi prestes a completar quatro décadas de vida que a curitibanense de coração Marisa Bittencourt de Souza decidiu que iniciaria sua corrida pelo conhecimento e ensino. Era final de 2015 quando a atual aluna do 6° ano do Ensino Fundamental se informou sobre matrícula no Centro de Educação para Jovens e Adultos (Ceja) e reiniciou sua vida estudantil. "Eu sabia que poderia fazer a prova do Enceja e conseguir o diploma, mas sempre quis mais que apenas a conclusão do ensino, eu queria o conhecimento de verdade", conta a aluna, que também é empregada doméstica. Era 2016 quando ela ingressou no Ceja, mesmo ano em que cumpriu sua meta de tirar a CNH. 

Ao relembrar sobre o que a fez retomar o ensino depois de adulta, Marisa conta que o incentivo dos familiares, em especial dos fi lhos João Paulo, Marco Antônio e Luiz Henrique, e do marido Leodil, foi fundamental, além do empurrãozinho das cunhadas, que também eram alunas do Ceja. "A nossa vida muda muito depois que voltamos para o ensino, ganhamos muito mais conhecimento, mudamos nossos pensamentos e abrimos nossa mente", ressalta a moradora do interior de Curitibanos.

Natural de São José do Cerrito, Marisa havia estudado até a terceira série pelo ensino regular, ainda em sua cidade natal, mas teve a rotina estudantil interrompida depois que sua professora deixou a escola onde estudava e sua mãe decidiu retirá-la da instituição. Depois, uma tia de Marisa foi sua professora por um tempo, mas desde então não havia mais tido contato com os bancos escolares. "Ler e escrever era o básico que eu sabia, em São José do Cerrito eu até tentei me inscrever para o Naes, na época, mas não consegui passar e cheguei a pensar que eu não era capaz de terminar meus estudos", conta a moradora de Curitibanos. 

Já com as inseguranças da falta de estudos superadas, hoje Marisa incentiva outras pessoas que também tiveram o ensino interrompido. "Hoje eu sei que não é problema nenhum não saber as coisas, afinal estamos aqui para aprender mesmo", conta a aluna que adora as aulas de Língua Portuguesa e segue adaptando a nova rotina de estudos on-line, devido a pandemia da Covid-19. Antes das atividades remotas,

Marisa chegava na cidade ainda de manhã para trabalhar, onde cumpria seu horário de expediente e à noite seguia para o alto do morro da Rua Hercílio Luz, onde três vezes por semana vencia novas etapas da sua formação. "Com certeza não é fácil, quando retornamos ao ensino temos que conciliar o emprego e a família com a nova rotina, mas adaptando conseguimos fazer. Eu poderia terminar meus estudos mais rápido, mas preferi fazer de forma mais lenta, para que eu realmente pudesse me dedicar e ter a certeza de que não desistiria", indica Marisa, que retornou à escola nos anos iniciais e já tem projetos para depois do Ensino Médio. 

"Eu adoro cuidar de crianças e também penso em cursar Mecatrônica, assim como meu irmão, pois adoro mexer com aparelhos e eletricidade e tenho muito interesse nisso. Penso em seguir algumas dessas áreas depois de encerrar meus estudos no Ceja", revela Marisa. 

Hoje, a estudante faz parte dos 400 alunos que integram o Ceja de Curitibanos, que também atende quase 900 detentos do Presídio Regional de Curitibanos. A diretora da escola Elisiane Abraão destaca que os alunos da instituição apresentam grande força de vontade e determinação, fazendo da dificuldade um incentivo. "Trabalhamos com estudo adaptado para os jovens e adultos, sem deveres em casa, por exemplo, justamente por já conciliarem a rotina com seus empregos, mesmo assim, compreendemos que é uma rotina cansativa e assim como Marisa, há vários outros alunos que se tornam inspirações", comenta a diretora. Informações sobre matrículas e oportunidade de retomada do estudo, podem ser conferidas através da secretaria da instituição pelo telefone (49) 3245-1232.


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