37 anos.png
37 anos.png
  
VARIEDADES

Coração nipônico e curitibanense

Família Watanabe comemora 63 anos de imigração

Por Renata Westphal


Rosa e Sueji guardam retrato do Navio Maru, que trouxe a família Watanabe ao Brasil (Foto: Renata Westphal)/

O último mês marcou os 63 anos da chegada da família Watanabe no Brasil. Hoje enraizada em Curitibanos, a família iniciou sua história com a vinda de Sueji Watanabe, que aos 18 anos saiu do Japão para arriscar uma nova trajetória no Brasil. "O Japão passava por uma fase muito difícil, pós-Segunda Guerra Mundial, chegava a faltar comida. Na época havia pessoas que faziam propaganda sobre o Brasil na escola, vim para cá com outros 58 homens solteiros para trabalhar com agricultura", relembra Sueji. Já em Santa Catarina, conheceu Rosa Sato, o casal teve cinco fi lhos Rosana, Wolny, Sueli, Cristiano e Waldson, sete netos e dois bisnetos e atualmente moram no Centro de Curitibanos.

Após uma viagem de 34 dias com o navio Maru, Watanabe desembarcou no porto de Santos (SP), com outros 600 japoneses no dia 12 de outubro de 1957. Durante a viagem, trabalhou como professor para os mais novos e atendeu como enfermeiro cuidando da saúde dos mais velhos, que por vezes passavam mal devido ao movimento do navio. Sem conhecer a cultura brasileira e a Língua Portuguesa, no auge da juventude, longe dos pais e seus seis irmãos, o imigrante pisou pela primeira vez em terras brasileiras e ainda em São Paulo, percebeu o choque cultural. "Eu não sabia falar Português e fui aprendendo aos poucos, convivendo com brasileiros. Logo aprendi a falar água, pão e pinga para não passar fome nem sede", conta Sueji com muito bom humor. Aos 81 anos, o senso de humor e o sorriso fácil são marcas registradas de Sueji.

Além de aprender sobre o idioma, Watanabe conta que acostumar o paladar com a comida brasileira também foi um desafio. "No Japão comemos muitas verduras e legumes, eu não comia feijão", relembra. Rosa também compara o uso das carnes nas duas gastronomias. "Na comida japonesa não utilizamos tanta carne, ela é utilizada mais como um tempero para dar gosto na comida, principal mente com muitos legumes, muito diferente da comida brasileira", comenta. E foi comas verduras e legumes que Watanabe sempre trabalhou, de São Paulo veio para o Sul do país, pois lhe disseram que o clima da região era muito parecido com o do Japão e propício para plantações.

Sueji escreve em japonês e fala  fluentemente sua língua materna (Foto: Renata Westphal)/

Semeando principalmente tomate e alface, o casal Watanabe criou seus cinco filhos. Ensinados a honrar o trabalho desde muito jovens, Rosa aprendeu ainda criança a trabalhar na agricultura junto com os pais e conheceu Sueji em Lages, onde morava. Na época, ele morava em Ponte Alta do Norte, certo dia não passou bem de saúde e precisou ser encaminhado ao hospital. "O patrão dele levou ele para Lages e depois passaram na minha casa, porque éramos uma das poucas famílias japonesas que moravam na cidade", relembra Rosa sobre a primeira vez que viu Watanabe. Desde então o casal nunca mais se largou. Apesar de terem saído do mesmo país, o casal atravessou o mundo para se encontrar. Rosa é nascida no Brasil, mas seus pais também imigraram do Japão, durante a viagem de navio um de seus irmãos faleceu e teve o caixão jogado no mar.

Depois de morar em diversas cidades em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a família optou por ficar em Curitibanos, segundo Watanabe os moradores daqui sempre foram muito receptivos e hospitaleiros. "Fui o primeiro japonês a chegar a Curitibanos, no início o pessoal ficava olhando diferente pensava que éramos índios, mas sempre me dei muito bem com os brasileiros", conta Watanabe. Hoje já aposentado, o casal continua cuidando da horta que mantêm nos fundos da casa onde mora. "A horta é nosso passatempo, funciona como um remédio. Não podemos escolher o que gostar, temos que gostar do que estamos fazendo", reflete Sueji.

De fortes raízes japonesas, a família Watanabe mantém viva tradições da cultura nipônica e atualmente dois dos cinco filhos do casal moram no Japão. Com orgulho, Sueji guarda fotos da viagem de navio que o trouxe para o Brasil e chegou a fazer um tradicional barco de sushi com o mesmo nome do navio de imigração: Maru. 


OculoseCia.gif
Conexão master site.png

Jornal "A Semana" | Rua Daniel Moraes, 50, bairro Aparecida | 89520-000 | Curitibanos | (49) 3245-1711