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VARIEDADES

Calma como fonte de vitalidade

Getúlio Camargo foi de agricultor a estrela nos palcos tradicionalistas do Sul do país

Por Rubiane Lima


(Foto: Rubiane Lima) /

De sorriso fácil, voz calma e memória invejável, assim é o curitibanense Getúlio Pereira de Camargo, que próximo aos 88 anos, passa os dias entre o descanso em casa e o acompanhamento do trabalho em suas fazendas. De agricultor a artista de palcos tradicionalistas, Getúlio é um dos fundadores do grupo Os Fazendeiros e por mais de 20 anos, tocou em bailes por todo o Sul do país. Nascido em Curitibanos, na localidade Fazenda da Cadeia, ele conta que suas primeiras memórias são do trabalho no campo. "Desde criança nós ajudávamos no trabalho da lavoura e com os animais. Somos em nove irmãos, crescemos no trabalho com a enxada e fazendo tudo a mão", recorda. Nesta época, ele lembra que a família vinha poucas vezes para a cidade, somente para comprar mantimentos. "Não tinha nem estrada, nós vínhamos com cavalos e tinha que levar um cargueiro para poder transportar as compras, pois não tínhamos carro naquela época", relata.

Entre as curiosidades do local onde nasceu, ele conta que por ser rodeado por quatro rios, quando chovia muito a comunidade ficava ilhada. "A fazenda era rodeada pelos rios Canoas, Cadeia, Cabaçais e Marombas. Foi daí que surgiu o nome de Fazenda da Cadeia, pois a água deixava todo mundo preso no lugar", relata o curitibanense. Getúlio chegou a ser interno do Colégio Santa Teresinha por um ano, quando tinha 12 anos, mas seguiu com o trabalho braçal até a vida adulta. Aos 20 anos, casou com Antonieta Granemann Camargo e veio morar na cidade, com ela, teve três filhos. Após anos separado, casou com Ivanete Rufino de Camargo, com quem teve dois filhos. No total, a família é composta por 10 netos. "Nossa família é muito unida e eu prezo muito pela harmonia e paz entre todos", esclarece.

(Foto: Rubiane Lima) /

Depois de realizar a vontade de ter uma gaita, o agricultor foi vendo o amor pela música crescer ao ponto de trocar a lavoura pelo palco, quando em 1967, lançou o primeiro disco do grupo Os Fazendeiros. O grupo levou o nome de Curitibanos a diversos estados, lançando seu último disco em 1983. "Foi uma época muito divertida, mas o tempo nos ensina muita coisa e muda muito nossa cabeça. Eu amadureci, parei de tocar baile e voltei a me dedicar às fazendas e minha família. Hoje toco só por diversão", lembra o gaiteiro. Ainda nesta época, ele comprou, zero quilômetro, o Dodge Charger R/T, que passou a fazer parte da história da família. Por 25 anos, Getúlio se dedicou ao plantio de alho, soja e milho, mas a vida dura da profissão e as incertezas climáticas o fizeram desistir.

Além disso, integrou a comissão da 1ª Feira do Terneiro, participou da arrecadação de fundos para construção da Apae e procura auxiliar nas questões de atendimento e melhoria no município, mas prefere fazer isso sem que ninguém saiba. "O que a mão direita faz, a esquerda não precisa ficar sabendo, sigo esse ensinamento, pois o importante é ajudar a quem precisa. Vivemos em uma terra abençoada, acredito que Deus passou por aqui, pois é um lugar fantástico de se viver, além de ser um lugar onde as pessoas costumam se ajudar", declarou, ainda, que nunca pensou em trocar de cidade. Aprendendo a lidar com redes sociais, Getúlio mantém o contato com familiares e amigos distantes. Já havendo viajado por alguns países da América Latina, quando estava com 85 anos, foi conhecer a Europa. "Gosto de viajar, mas não troco Curitibanos por lugar nenhum", disse sobre a viagem por terras europeias. Como dica para longevidade, ele aconselha manter a calma, se alimentar e dormir bem. "Se eu não posso levar o mundo, o mundo que me leve. Não adianta ficar preocupado com as coisas, isso só nos deixa doentes", ensina a todos.


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