ASemana 36 anos.png
ASemana 36 anos.png
  
LIVRE

Amor pelo estudo

25 Fevereiro 2019 10:59:00

Apaixonado pelo conhecimento, Simpliciano guarda com carinho os boletins até a 3ª série

Rubiane Lima


(Foto: Rubiane Lima) /

"O estudo é a única coisa que ninguém pode tirar de nós". Quem garante é o curitibanense Simpliciano Fabricio de Almeida, que, aos 88 anos, lamenta não ter concluído seus estudos. Apaixonado pelo conhecimento, ele guarda com carinho os boletins até a 3ª série, que cursou em 1942, quando precisou deixar a escola para trabalhar. 

Simpliciano lembra que precisava caminhar mais de seis quilômetros para chegar à Escola Isolada Mista de Posto, na localidade do Tabuleiro, onde havia um único professor. Mesmo assim, seguia em frente, pois, para ele, não há nada mais valioso que a educação, que dá oportunidade para as pessoas se desenvolverem e terem uma vida mais confortável e feliz. Por isso, apesar das dificuldades, sente muita falta da época da escola e agradece por tudo que aprendeu com seu professor."Se não fosse ele, eu não saberia nem ler e escrever e a vida teria sido muito mais difícil", afirma. 

(Foto: Rubiane Lima) /

Estudioso, Simpliciano mostra com orgulho as boas notas que tinha em todas as disciplinas, além de notas 10 em comportamento. Para ele, tratar bem os professores é um dever, pois eles são como segundos pais, responsáveis por ensinar e preparar os alunos para a vida adulta. "Hoje, não vejo mais o mesmo respeito que existia antigamente e isso é muito triste", desabafa. 

Para Simpliciano, atualmente, as crianças têm mais facilidades, principalmente, em função da tecnologia, bem diferente de seu período escolar. Ele lembra que a comunicação era feita por cartas e transporte a cavalo, mas ainda assim havia a vontade de estudar até onde fosse possível. Por isso, aconselha aos mais jovens que nunca desistam de estudar, mesmo que encontrem dificuldades, pois, ao chegar em sua velhice, terão suas profissões consolidadas e mais conforto para aproveitar suas aposentadorias. "Temos que aproveitar as oportunidades da vida, principalmente relacionado ao estudo, pois ele é tudo o que consegui- mos conquistar na nossa vida", destaca. 

Crescido na lida do campo, Simpliciano trabalhou como tropeiro e era responsável pelo transporte de gado entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Durante toda sua vida, trabalhou com plantio de alimentos e animais. "Não era uma lida muito fácil, mas sempre gostei do trabalho no campo, é muito gratificante ver as coisas acontecendo e foi através desse trabalho, que consegui criar meus filhos e dar o estudo que eles precisavam", relata. Casado por 59 anos com Elzira Pires de Almeida, falecida há nove anos, é pai de sete filhos, sendo cinco mulheres e dois homens. 




OculoseCia.gif
ConexaoMaster.gif

Jornal "A Semana" | Rua Daniel Moraes, 50, bairro Aparecida | 89520-000 | Curitibanos | (49) 3245-1711