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Atletas mostram como venceram adversidades para disputar o Ironman em SC

27 Maio 2018 10:13:00

César Rosati - DC


Foto: Leo Munhoz / Diário Catarinense

Não é questão de performance. Muito menos de competir, ultrapassar e vencer os principais atletas do triatlo. Tornar-se um homem de ferro do esporte vai além de tudo isso: é encarar os desafios e ter o desejo de viver intensamente. Não se trata de uma conquista qualquer. Nadar 3,8 km, pedalar 180 km e correr mais de 42 km durante dezenas de horas é uma metáfora do cotidiano e cruzar a linha de chegada é coroar a capacidade dos seres humanos de enfrentar qualquer obstáculo. Qualquer um pode se tornar um Ironman, basta dedicação, humildade e treino, muito treino. Nesta edição do Nós, você confere histórias de pessoas comuns que mudaram a alimentação e começaram a se exercitar para viver melhor e vão disputar a prova mais dura do planeta.

Homens e mulheres de ferro encaram o Ironman neste domingo em Florianópolis

Como diria o ganhador do Nobel, o músico Bob Dylan, por trás de cada coisa bonita que vemos, há alguma dose de sacrifício. São meses de preparação para enfrentar uma batalha dura entre o cansaço e a persistência. É preciso ser resiliente e capaz de responder aos estímulos sem perder o olhar no objetivo a ser alcançado. A tão temida prova pode não significar nada para quem está de fora, mas para os milhares de desconhecidos é a resposta para a vida.

No domingo, 2,5 mil atletas de 44 países estarão em Jurerê Internacional, em Florianópolis, para testar seus limites e provar que nenhum obstáculo é grande o suficiente que não possa ser ultrapassado. Entre essa turma toda estão médicos, dentistas, corretores de imóveis... Gente como a gente, guerreiros e guerreiras de um mundo cheio de problemas.

Fernanda Keller, pioneira no triatlo no Brasil e uma das principais expoentes da modalidade no país, lembra que também era mais uma na multidão quando decidiu fazer seu primeiro Ironman, em 1987, no Havaí. Naquele tempo, bicicletas de carbono, tênis de última qualidade e maiôs de natação super eficientes eram coisa de ficção científica.

Com apenas 20 anos e sem nenhum apoio, a atleta encarou a aventura e embarcou para enfrentar o desafio. Foi um ato de coragem que acabou dando certo e mudou a vida dela que hoje nem sonha em ficar longe do esporte que lhe trouxe um grande cansaço, mas que a retribuiu com tantas alegrias.

- Tem que ser muito forte e determinado para enfrentar um dia inteiro nadando, pedalando e correndo para vencer a si mesmo e cruzar a tão sonhada linha de chegada. É uma vitória muito pessoal e do espírito. O que inspira é acreditar que tudo é possível quando nos entregamos de corpo e alma - reflete a triatleta.

Keller vive do triatlo 24 horas por dia. Profissionalizou-se no esporte e roda o país contando sua experiência ao longo destes mais de 30 anos de carreira. Para ela, Ironman não é uma prova para pessoas com habilidade extrema, mas sim com bastante vontade e força mental.

- Os verdadeiros campeões do Ironman não são os atletas profissionais e sim os anônimos que chegam no limite para encerrar a prova após quase 17 horas correndo e no escuro - diz Keller ao lembrar que a prova geralmente termina após o sol se pôr.

Mas, o que leva alguém a se esforçar tanto assim? Quem treina para o Iron está cansado de ouvir essa pergunta, afinal quem não vive de nadar, pedalar e correr acredita que enfrentar tantas adversidades é coisa de maluco, no mínimo. A psicóloga Ana Cristina Ielo Oliveira, especializada em esporte e triatleta nas horas vagas, talvez tenha a resposta:

- O esporte imita a vida e vice-versa. O que aprendamos no esporte levamos para vida. Funciona como um desenvolvimento pessoal. Não à toa, existem vários exemplos de superação de drogas, de fobias, perda de peso, pessoas ansiosas que conseguem se controlar com a ajuda de uma rotina de treinamento - explica.

No fim das contas, trata-se de uma terapia capaz de torrar mais de 10 mil calorias além de ser um santo remédio, ideal para ansiedade e depressão. Mãe de dois filhos, Ana decidiu usar a profissão como estratégia para ajudar entusiastas da modalidade a disputar provas de alta intensidade. Sem esse trabalho bem feito, a possibilidade de chegar no meio da prova e desistir pode ser grande. Ela chegou até o triatlo com orientação médica para tratar uma hérnia de disco, agora auxilia outras pessoas a vencer as pedras que estão no caminho. O segredo do sucesso está nas pequenas coisas da vida.

- Segundo estudos um hábito novo demora de 21 dias até 60 dias para se instaurar na rotina. Para ser consistente o segredo é ter objetivos a longo e curto prazos. Pequenas metas ajudam bastante, além do famoso foco, que nada mais é que dizer não a tudo que não é seu objetivo naquele momento - orienta.

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