Curitibanos,
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Brasil acima da média em gravidez na adolescência

11 Março 2018 00:09:00

Rubiane Lima

Relatório divulgado pela OMS aponta o país como o maior índice da América Latina 

PRÉ-NATAL. Todas as unidades estão aptas a fazer os procedimentos necessários de acompanhamento de gestantes (FOTO: ARQUIVO/ASEMANA)

Quase 70 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil meninas de 15 a 19 anos é o índice brasileiro apresentado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ficando acima da média latino-americana, estimada em 65 bebês e, no mundo, 46 nascimentos. Em Curitibanos, a Secretaria de Saúde está organizando atividade nas escolas para debater o tema e tirar dúvidas das adolescentes.  

Segundo a diretora de Saúde Elisabeth França Dacol, este mês, foi lançado o Projeto Saúde Feminina, que visa atender a estudantes dos 7º aos 9º anos, de todas as escolas de Curitibanos. O objetivo é propiciar momento de troca de informações entre as estudantes e os profissionais de saúde, estabelecendo vínculo de confiança e referência em situações que envolvam a saúde das adolescentes, além de informar sobre a importância de prevenção de doenças e de gravidez na adolescência, sempre com ênfase no empoderamento da mulher. O trabalho será feito através de rodas de conversa, durante todo o mês de março, diretamente nas escolas. "Às vezes, as meninas podem ter vergonha de perguntar algumas coisas para sua família, por isso, vamos oportunizar que elas tirem suas dúvidas. Inclusive, vão participar das conversas somente as estudantes, para que tenham maior liberdade para perguntar", explicou Elisabeth. 

De acordo com a diretora, todas as Unidades de Saúde de Curitibanos estão equipadas para atendimento de gestantes. Assim que é confirmada a gravidez, a adolescente deve ir até a unidade de seu bairro para dar início ao pré-natal. "Esse trabalho é feito com uma equipe de saúde. Caso o médico da unidade veja necessidade de atendimento com especialista, ele faz o encaminhamento para obstetra", esclareceu, acrescentando que, se o obstetra detectar uma situação de risco, a gestante é encaminhada para a maternidade, no Hospital Hélio Anjos Ortiz, que conta com setor especializado para o acompanhamento.


RISCOS

Elisabeth alertou que o corpo de uma adolescente não está preparado para a gravidez, por isso, o pré-natal feito com responsabilidade é fundamental, já que detectar algum problema no início é melhor para tratamento. Entre os riscos da gravidez na adolescência, ela destaca casos de infecções, diabetes, infecções sexualmente transmissíveis, aborto, além de problemas psicológicos antes e depois do nascimento da criança.

A gravidez na adolescência, caracterizada pela imaturidade física, funcional e emocional, predispõe gestante e feto à gravidez de risco e complicações obstétricas. O maior índice de mortalidade é encontrado entre mães menores de 16 anos. Problemas anatômicos comuns na adolescente, como tamanho e conformidade da pelve e elasticidade dos músculos uterinos, justificam esse fato.


ATENÇÃO

Os riscos de uma gravidez na adolescência incluem:

- Pré-eclâmpsia e eclâmpsia

- Parto prematuro

- Bebê com baixo peso ou subnutrido

- Complicações no parto, que pode levar à uma cesária

- Infecção urinária ou vaginal

- Aumento do risco de depressão pós-parto

- Aumento do risco de rejeição ao bebê


Mãe aos 15 anos

SURPRESA. Isabela descobriu aos 15 anos a gravidez de seu filho Theryk (FOTO: RUBIANE LIMA)

Levantar todos os dias, ir para a escola e ajudar sua mãe com as tarefas de casa era o dia a dia da estudante Isabela Carneiro Couto, que, aos 15 anos, viu tudo ser modificado com a gravidez inesperada de seu primeiro filho, Theryk Júnior. A estudante conta que se protegia contra gravidez tomando pílula anticoncepcional, mas não sabia que, se tomasse outros remédios, o efeito poderia ser cortado. "Perdi minha virgindade e, dois meses depois, já estava grávida. No começo, foi muito difícil de aceitar e cheguei a pensar em não ter o filho, mas recebi muito apoio e, hoje, estamos todos na expectativa pela chegada do Theryk", relata Isabela, grávida de sete meses.

A adolescente lembra que sempre teve seu ciclo menstrual desregulado e que demorou certo tempo até perceber que estava com a menstruação atrasada. Logo em seguida, um exame confirmou a gravidez. Ela conta que sentiu muito receio de contar sobre a gravidez para os familiares e até para o pai da criança, mas todos, passado o susto inicial, estão apoiando o casal e muito contentes com a chegada da criança.

Para o futuro, Isabela garante que pretende continuar estudando e buscar por uma profissão para proporcionar o melhor para seu filho. "Se não fosse minha família e meu marido, não sei o que seria de mim, mas graças ao apoio de todos, tudo está sendo mais fácil para nós", afirma.

Para as amigas, ela aconselha que se cuidem ao máximo nas relações sexuais e que conversem em casa sobre o assunto, para tirar suas dúvidas e trocar ideias. Mesmo com o apoio recebido, Isabela destaca que sua vida modificou completamente e, por isso, aconselha que adolescentes evitem uma gravidez não planejada. "Antes, eu pensava só em mim; agora, tenho meu marido e filho para pensar, é uma bagagem muito grande para alguém de 15 anos. Nunca me imaginei passando por tudo isso, mas agora é enfrentar", finaliza.

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