ASemana 36 anos.png
ASemana 36 anos.png
  
VARIEDADES

Viver para a ciência

Curitibanense faz mestrado em Genética e Biologia Molecular

Tatiana Ramos


Ultrapassar limites, vencer desafios e, com determinação e amor pelo que faz, ajudar a melhorar a vida das pessoas. Esse é um resumo do dia a dia da cientista curitibanense Ana Carolina Martins, que, hoje, aos 24 anos, faz mestrado em Genética e Biologia Molecular na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, e, graças a um importante projeto de pesquisa, foi selecionada para participar de dois eventos internacionais em novembro. 

Natural de Curitibanos, a cientista é filha de João Carlos Martins dos Santos e Mara Dinacir Inacio Martins e sempre estudou em escolas da cidade: EEB Embaixador Edmundo da Luz Pinto, Colégio JK e EEB Casimiro de Abreu. Em sua preparação para entrar na faculdade, fez o CursinhoPré-vestibular UFSC, também em Curitibanos. Ana só deixou a cidade ao ser aprovada, na UFSC de Florianópolis, para a graduação de Biologia. "Sempre soube que queria ser cientista. Sempre fui uma pessoa curiosa e muito decidida. Cheguei a cursar Biomedicina, em Lages, durante um semestre, mas não gostei. Na Biologia, encontrei minhas duas paixões: genética e neurologia", afirma. 

Hoje, no Mestrado, ela integra o grupo de pesquisa em Neurogenética no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e seu Programa de Pós-Graduação é conceito máximo na área de Genética e Biologia Molecular no país. "Além de gostar da área, sempre gostei de desafios", completa. E os desafios são ainda maiores na área científica quando se trata de mulheres. Ana lembra que, na história da ciência, há grandes nomes masculinos porque as mulheres eram proibidas de ter acesso à educação e às instituições de ensino, o que, felizmente, vem mudando ao longo do tempo. Segundo a cientista, hoje há, nas universidades, um grande número de mulheres que dedicam sua vida à ciência. "Isso é lindo e gratificante", comemora. 

Apesar da paixão pelo que faz, Ana lamenta a realidade vivida pelos cientistas no Brasil, onde a profissão nem ao menos é regulamentada. Ela explica que, para ser cientista, é preciso ser aluno de pós-graduação (Mestrado, Doutorado ou Pós-Doutorado) ou professor universitário. No caso de alunos, não há salário, férias nem 13º, apenas o auxílio de uma Bolsa, que, este ano, vem sofrendo cortes. "Isso quer dizer que o governo vai deixar de pagar estes alunos para descobrirem novos medicamentos, novas curas, desenvolver novas tecnologias. Com isso, começaremos a importar esses produtos e serviços de outros países. Enfim, são tempos difíceis para a ciência e para a soberania do país!", avalia.

Pesquisa 

Atualmente, em seu trabalho de Mestrado, Ana estuda a Doença de Machado Joseph, uma neuropatologia rara, de origem genética, que causa a perda de coordenação motora e de equilíbrio, além de outras complicações. Entre experimentos em laboratório e entrevistas com pacientes afetados pela doença, a cientista afirma que o que mais a fascina na profissão é a certeza de estar, diariamente, em busca de melhorias para a vida das pessoas.

Pela importância da pesquisa,  Ana foi selecionada para apresentar seu projeto em dois eventos internacionais, em Washington, nos Estados Unidos. Segundo ela, o convite deve-se ao fato de o grupo de pesquisa do qual faz parte ser bem reconhecido internacionalmente por fazer grandes contribuições na área da neurogenética. "Fazemos muito e competimos internacionalmente com grandes potências, mesmo ganhando pouco. Imagina o que faríamos se tivesse investimento em pesquisa?", questiona. Para a cientista, além de uma conquista pessoal, a participação do Brasil nesse tipo de evento demonstra o potencial dos pesquisador no país. 

No entanto, a Universidade não cobre despesas de passagens aéreas, inscrições em eventos, hospedagem e alimentação, além de custos com passaporte, visto e taxas de câmbio, e Ana precisa de R$ 10 mil para estar presente em Washington. Como aluna de Mestrado, ela recebe R$1.500 por mês para ser pesquisadora, mas precisa ter dedicação exclusiva, o que a impede de ter outro trabalho para complementar a renda. "Então, vivo para a ciência", garante. Disposta a não perder a oportunidade, Ana está realizando algumas ações para arrecadação de recursos, como uma vaquinha online, com doações pela Vakinha Online, ou depósito de qualquer valor direto em sua conta corrente no Banco do Brasil, agência 517-7, conta 107915-8. "Necessito desse dinheiro para conseguir apresentar meu trabalho em dois eventos de ponta na minha área. Não possuo o valor total, mas tenho um coração cheio de esperança e muita força de vontade para continuar fazendo ciência, ensinando e aprendendo em qualquer lugar do mundo!", conclui.

Jornal "A Semana" | Rua Daniel Moraes, 50, bairro Aparecida | 89520-000 | Curitibanos | (49) 3245-1711