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LIVRE

Viver bem depois da aposentadoria

Amilton considera aposentadoria a melhor fase da vida, por poder fazer tudo o que não tinha tempo quando empregado

Rubiane Lima


(Foto: Rubiane Lima) /

Bom de Matemática e ensinado desde sempre a fazer o que era correto. Assim começa a se definir o curitibanense de coração Amilton Alves Küster, 75 anos, que, nesta quinta-feira (24), comemora o Dia Nacional do Aposentado. Ele afirma que esse é o melhor período da vida de alguém, por ter mais tempo livre para fazer o que sempre teve vontade e, antes, não conseguia conciliar com o dia a dia de trabalho. 

Amilton conta que trabalhou desde muito cedo, iniciando sua carreira em uma serraria, na localidade de Horizolândia, onde era responsável por carregar toras e levá-las a seu destino final. Depois disso, trabalhou em fábrica de papel e, já na área urbana de Curitibanos, trabalhou como motorista por 23 anos no extinto Supermercado Centauro. "Foi um tempo difícil, por serem muitas horas trabalhadas, mas a gente se divertia conhecendo muitos lugares e pessoas diferentes. Até hoje, tem jovens que passam por mim e me contam histórias que seus pais contavam sobre o 'Miltão' do Centauro, como eu era conhecido", recorda. 

Segundo Amilton, além da função de motorista, passava as noites na reposição de mercadorias e chegou a viajar, muitas vezes, até outros estados, onde era feita a troca de mercadorias diversas por feijão para venda no mercado. Ele lembra que não havia hora para trabalhar e esse contato com pessoas ensinou-lhe a conviver, a falar e a ter respeito por todos, algo que tenta ensinar para as outras gerações. 

(Foto: Rubiane Lima) /

Depois que o Centauro fechou, Amilton foi contratado pelo Supermercado Myatã, onde passou 14 anos em atividade. Pai de seis filhos, um falecido ainda bebê, manteve a família sempre trabalhando em mercados. O aposentado revela que deu estudo aos filhos e tudo o que precisavam com o suor do trabalho, por isso, ensina a todos a importância de ser correto, para sempre colher os frutos. 

Em 1999, chegou a tão sonhada aposentadoria. "Há quem pense que, depois que a pessoa se aposenta, ela não serve para mais nada, mas é o contrário, daí é que temos coisas para fazer, pois, se o corpo parar, a cabeça para também e só fica espaço para doença e pensamentos ruins", afirma, explicando que, para ele, vieram as dores da artrose. Agora, ele busca se manter sempre ativo, para não cair nas malhas da depressão. "Se tem uma coisa que aconselho aos jovens é cuidarem da saúde desde cedo, para terem uma velhice mais tranquila e ativa", completa. 

Realizando seu sonho depois de aposentado, Amilton comprou um terreno no interior e foi construindo um sítio e barracão onde cria animais. Casado com Leni Rocha Küster há 53 anos, o aposentado passa os dias com suas leituras espíritas, programas de televisão e fazendo planejamentos. "A mente não pode parar nunca e devemos ser felizes em todas as situações, mesmo diante das adversidades, para conseguir seguir em frente e alcançar nossos objetivos", conclui. 

Sobre a data

A lei que criou o Dia Nacional dos Aposentados é de 1981. Foi instituída pelo Congresso Nacional e escolhida porque, nesse mesmo dia, em 1923, ocorreu a assinatura da lei Eloy Chaves, que criou, na época, a Caixa de Aposentadorias e Pensões para os empregados de todas as empresas privadas das estradas de ferro, base do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). Até então, a Previdência Social atendia apenas aos funcionários do governo federal. No Brasil, um dos atos que concedeu o direito à aposentadoria é de 23 de março de 1888, beneficiando apenas os empregados dos Correios. 

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