Curitibanos,
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Uma vida dedicada à estrada

02 Junho 2018 07:00:00

Antão é caminhoneiro há 48 anos e nunca viu tamanha mobilização no país. Durante a paralisação ele ficou em Curitibanos e conta como foi

Rubiane Lima


 (Foto: Rubiane Lima)/


Há 48 anos na profissão de caminhoneiro, Antão Caetano, de 66 anos, disse nunca ter visto tamanha mobilização em busca de um país melhor. Desde a última segunda-feira (21), com seu caminhão estacionado próximo ao Parque de Exposições Pouso do Tropeiro, em Curitibanos, ele agradeceu ao apoio e atendimento recebido pela comunidade curitibanense.

Morador de Passo Fundo (RS), Antão afirmou que, em sua experiência de caminhoneiro, já participou de outras mobilizações, mas nunca viu tantas pessoas e setores aderindo. "Em outras ocasiões, as pessoas menosprezavam a gente, nos xingavam por estarmos parados, mas não entendiam que estávamos brigando por todo mundo e não só por nós. Agora, a história está sendo diferente", comparou. "Em todos esses anos de estrada, já vi muita gente me olhando torto e não valorizando nossa profissão, pois sou humilde, às vezes não falo corretamente, mas somos responsáveis por grande parte da movimentação financeira deste país e merecemos respeito e consideração", completou.

Pai de três filhos, dois meninos e uma menina, ele relatou que já viajou com a filha, que conheceu mais o trabalho desenvolvido pelo pai. "Ela já até dirigiu o caminhão, foi minha parceira e gosta de estar na estrada também", revelou.


Durante a semana, caminhoneiros estão recebendo alimentação por voluntários do município (Foto: Rubiane Lima)/


Com seus alimentos e gás acabando, ele e outros cinco caminhoneiros uniram-se para preparar as refeições em apenas um caminhão. Mesmo com pouco espaço para dormir, depender de pontos de parada para fazer sua higiene pessoal e ter de cozinhar os próprios alimentos de forma precária, segundo Antão, a vida na estrada é recompensadora e brincou que estranha quando passa uma temporada muito grande dentro de casa. "Não é fácil, mas acostumamos a viver assim. Quem olha nosso caminhão e o espaço que temos para dormir pode achar desconfortável, porque está acostumado com o conforto de casa, de uma cama, etc, mas, para nós, é o dia a dia, é o que temos e como sobrevivemos transportando tudo que o país precisa", declarou.

Antão destacou que a briga dos caminhoneiros é por todo o Brasil, por preço de combustíveis e impostos mais justo. Ele reforçou que a luta é pacífica, as estradas não estão bloqueadas, não está faltando remédio e atendimento para o hospital de Curitibanos. "Queremos melhorias para toda comunidade e, dessa vez, não vamos desistir sem alcançar algum resultado positivo ao país", explicou, adiantando que concorda que perdure a mobilização, sendo momento de aproveitar a união das classes para pressionar o governo a reduzir o que é cobrado dos trabalhadores e comunidade brasileira.


Antão fala que a falta de conforto e espaço é comum, mas acaba se acostumando no dia a dia (Foto: Rubiane Lima)/




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