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VARIEDADES

O antes e depois da bebida

Alcoolismo. Sérgio conta que comemora dois aniversários por ano após a libertação do vício

Rubiane Lima


Sérgio faz palestras contando sobre sua história e orientando todos a se distanciarem do álcool (Foto: Rubiene Lima) /

Retomar as rédeas da própria vida. Assim Sérgio Souza Neves, de 61 anos, define sua vida desde 2004, quando tomou a decisão de resistir às tentações do álcool. Desde os 14 anos lutando contra a doença, ele é comunicador de rádio e realiza palestras nas quais conta um pouco de sua história e tenta auxiliar quem enfrenta o vício da bebida.

Com material novo de divulgação, ele vai estrear seu novo conteúdo de palestras nesta segunda-feira (9), às 13 horas, na Comunidade Terapêutica Água da Vida (Cravi), com entrada gratuita. Neste mesmo dia, é celebrado o Dia do Alcoólico Recuperado, para comemorara conquista de todos que estão vencendo o vício.

Sérgio lembra que, desde a primeira vez que teve contato com álcool, sua vida tornou-se problemática. O primeiro porre foi aos 14 anos, quando deixou de ir à escola para beber. A partir daí, foram muitos anos de perdas, mas a pior, segundo ele, é a perda da dignidade e da confiança das pessoas. Sérgio explica que o alcoolismo é algo incurável e que cada dia sem álcool é uma grande vitória, independente do tempo que esteja sem ingerir a substância. "Estaremos sempre em tratamento. Hoje, não sinto mais vontade de beber, mas prefiro evitar lugares e festividades com bebida alcoólica", afirma. 


Palestrante destaca que toda a família sofre com o problema (Foto: Rubiane Lima) /


Antes de aceitar ajuda, Sérgio não via o álcool como problema, pois acreditava que conseguiria parar de beber quando quisesse. Ele reforça que a negação é um dos maiores problemas para os dependentes, porque impossibilita que vejam a dificuldade que estão enfrentando; muitas vezes, só depois de perder tudo o que tem, o dependente entende que precisa de ajuda e, então, começa um longo caminho. Ele relata que, em 1988, começou a participar de reuniões dos Alcoólicos Anônimos (AA), mas somente em 2004 conseguiu parar com a bebida. "Foram muitas recaídas, elas são inevitáveis, pois a doença está estacionada, mas pode retomar sua força a qualquer momento. 

O que precisamos é de muita força de vontade, família e amigos para ajudar", aconselha. Há 10 anos dando palestras, Sérgio desabafa que uma dificuldade que muito o marcou foi a perda da moral diante da sociedade. Ele enfatiza que o bêbado não é um vagabundo, é uma pessoa que precisa de auxílio médico, que tem um vício que está matando-o e necessita de ajuda, não de julgamentos e desprezo. Para Sérgio, é preciso  uma mudança geral de pensamento para enfrentar o problema que tem matado tantas pessoas. 

Além disso, o palestrante pede mudança de legislação no país, pois o álcool é vendido livremente em diversos lugares, facilitando a compra e levando tantos ao vício. "Se há apreensão de drogas, vira notícia em todos os jornais, mas, na mesma hora, há caminhões de bebidas alcoólicas transitando livremente pelas ruas e levando desgraça a todos os lugares. Isso deveria ser proibido, pois é o que mais nos mata", avalia. 

Diante de tantas perdas e sofrimento, Sérgio aconselha a todos o que aprendeu no AA: evitar o primeiro gole. "Nossa dignidade não tem preço. Hoje, ando de cabeça erguida, não tenho medo do amanhã e faço tudo o que posso para ajudar quem está enfrentando tudo o que já passei. Quem estiver precisando, busque ajuda, pois sozinho é muito mais difícil vencer essa batalha", finaliza.

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