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Novos horizontes

Estudante de intercâmbio, acaba de retornar do Canadá, onde teve experiência de seis meses numa nova realidade

Rubiane Lima


Estudante garante que toda bagagem cultura adquirida fez dela uma pessoa totalmente diferente e melhor (Foto: Arquivo / Pessoal)/

Sair de um clima de 35ºC para chegar em outro de -28ºC e ver sua realidade totalmente modificada foi o início de uma jornada de seis meses da estudante Bruna Cerati Carvalho, que, aos 22 anos, decidiu aproveitar as oportunidades oferecidas pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), onde cursa Engenharia Ambiental e Sanitária, e realizar o sonho de um intercâmbio acadêmico, no Canadá, de onde retornou no dia 21 de junho.

Nascida em Curitibanos, onde estudou até o fim do Ensino Médio nas escolas do município, Bruna é filha de Osnildo Fontana Carvalho (Bolacha) e Carla Aparecida Cerati. Aos 17 anos, optou por Engenharia Ambiental e Sanitária por conseguir aliar o que acreditava ser uma boa opção de futuro para ela e algo que o mundo precisava, além de incluir disciplinas que gostava, como Biologia e Geografia. "Vivemos um período ambiental complicado no país e não tem como não fazer comparativos com o Canadá, onde tive oportunidade de estudar a legislação local, além de questões geográficas", explica.

Bruna estudou na University of Regina, em Regina, onde dividiu moradia com uma brasileira que trabalha com intercâmbios e conheceu através da Internet. Ela saiu do Brasil em 27 de dezembro e chegou em terras canadenses no rigoroso Inverno. A estudante recorda que nunca tinha viajado de avião e, no primeiro contato, teve muito medo, mas acabou acostumando. Além disso, nunca havia visto neve e, ao chegar ao Canadá, encontrou neve por todo canto. Por isso, a primeira coisa que fez foi comprar roupas e calçados específicos para conseguir sobreviver no frio.

O primeiro desafio encontrado com o idioma local aconteceu já na chegada ao aeroporto. "Todos desceram do avião e eu fui ao banheiro. Quando saí, as pessoas já tinham seguido para seus destinos e eu me vi sozinha. Foi onde tive que pedir informação e começar a usar o inglês que aprendi", recorda, afirmando que esse conhecimento é de fundamental importância. "Estudei inglês por dois anos depois que entrei na faculdade, mas o que aprendemos não é o que utilizamos no dia a dia em outro país, pois é muito formal, por isso, o ideal é estudar sempre e se manter atualizado", completa.

Além disso, Bruna destaca como desafio a inserção no contexto das aulas, por ter metodologia de ensino diferente e precisar participar de apresentações e debates em inglês. Ela explica que nunca havia se apresentado em outra língua e foi algo bem desafiador, pois estava diante de nativos e pessoas que já usavam o inglês há bastante tempo. Sobre o ensino, a principal diferença sentida foi relacionada às cobranças de conteúdo. Segundo ela, no Brasil, a universidade pública abala o psicológico com muitas provas, trabalhos, estágios, horas extras curriculares, diferente das instituições canadenses. "No Brasil, você fica o dia inteiro na universidade e, muitas vezes, a cobrança acaba sendo por coisas decoradas e esquecidas depois da prova. No Canadá, tudo que é passado é cobrado, mas de maneira diferente, com muitos debates, muita participação, trabalhos e as provas não são tão valorizadas", compara.


Ao falar sua nacionalidade, Bruna foi bem recebida e despertou curiosidade por onde passou (Foto: Arquivo / Pessoal)/

Em sua estadia fora do Brasil, a curitibanense também observou que os canadenses são muito receptivos com estrangeiros, pois é um local onde há pessoas do mundo inteiro. Quando chegou ao país, imaginava que teria mais contato com canadenses, mas acabou se relacionando com intercambistas do mundo todo. Ao contar sua nacionalidade, os estrangeiros logo comentavam sobre o Rio de Janeiro, Cristo Redentor, futebol e grande parte pensava que a língua oficial do Brasil era o espanhol.

Além de estudar, Bruna pode viajar e conhecer outras cidades canadenses, sendo uma das partes mais interessantes do intercâmbio. "Percebi em todos os lugares que passei que a desigualdade social é muito menor que no Brasil. De uma forma geral, as pessoas têm mais qualidade de vida e poder de compra, refletindo no seu dia a dia e no tratamento com os outros. No Brasil, viver com um salário mínimo é desafiador e exige muito esforço. Lá, vive-se melhor", observa.

Para o futuro, Bruna já está planejando retornar ao Canadá para cursar mestrado, algo que já vai começar a organizar a partir do ano que vem. "Precisei sair totalmente da minha zona de conforto, mas é uma experiência excelente e que recomendo para todas as pessoas que têm interesse em viver coisas diferentes e adquirir bagagem pessoal e profissional", conclui.

(Foto: Arquivo / Pessoal)/


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