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CURITIBANOS 150 ANOS

Histórias que o povo curitibanense conta

11 Junho 2019 10:05:00

Histórias misteriosas têm como cenário o Cemitério São Francisco de Assis

Tatiana Ramos


(Foto: Tatiana Ramos) /

Bruxas, fantasmas e seres de outro mundo povoam o imaginário brasileiro, mas não é preciso sair de Curitibanos para ouvir histórias de arrepiar. Por aqui mesmo, temos nossos "causos" e lendas, que, independente de crença, fazem parte da cultura popular.

Como não poderia deixar de ser, um dos locais com maior tradição em contos misteriosos é o Cemitério São Francisco de Assis. Sepultada ali, no túmulo mais visitado do lugar, está a cigana Luiza Miguel Catarina, falecida em 1986. É comum pessoas deixarem oferendas e fazerem pedidos à cigana, que, em vida, segundo contam, teria roubado crianças alguns anos antes de morrer.

Também considerada uma personagem mística e com uma história de fé a ser contada, Maria Rosa é um nome bastante citado quando se trata de crenças, principalmente no que se refere à Guerra do Contestado. Com apenas 15 anos, ela era adorada como santa, uma vez que afirmava receber instruções diretamente do monge José Maria. Conta a lenda que, após a morte do monge, a adolescente chegou a liderar quase dez mil soldados.

Mais antiga que a Guerra do Contestado, a Revolução Farroupilha também deixou suas lendas na região. A 18 quilômetros do Centro de Curitibanos, na Fazenda da Forquilha, o Capão da Mortandade costuma atrair visitantes pelos relatos de fantasmas que o rodeiam, resultado das cerca de 400 mortes que ocorreram no local. Muitas pessoas já relataram ter visto sangue no chão ou homens vestidos de preto.

Mas nem só de assombrações vive o folclore curitibanense. Uma das lendas populares da cidade envolve ouro escondido. Segundo contam, na fazenda de Couto Caetano de Oliveira, onde hoje é a sede da Agafi, há sacolas de moedas de ouro enterradas. A crença de ouro escondido também inspirou expedições em busca de fortunas nas terras que pertenceram ao coronel Theodoro Ferreira de Souza, primeiro superintendente de Curitibanos.


(Foto: Tatiana Ramos) /

Palavras do monge

Todo curitibanense já ouviu falar das previsões do Monge João Maria. Histórias que traziam dúvidas, desconfianças e apreensão e que ainda fazem parte do imaginário popular.

Entre elas, algumas foram consideradas previsões, como a que falava de uma cobra preta e comprida que atravessaria o país e tiraria muitas vidas, facilmente interpretada como o asfalto, que veio muitos anos depois. Outra era que deveriam ser preservados os pinheiros da região, pois chegaria um tempo em que surgiria um gafanhoto com dentes de aço que levaria muitos pinheiros que iam valer fortunas; história que, depois, foi interpretada como a chegada da motosserra e das madeireiras, ponto forte da economia local nas décadas de 1940 a 1970.



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