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Futebol também é coisa de menina

28 Abril 2018 09:40:00

A luta pelo preconceito também é uma das grandes barreiras enfrentadas pelas jovens diariamente

Franciele Gasparini


Tauany, Bianca, Samantha e Rafaela estão unidas pelo esporte (Foto: Franciele Gasparini)

Destacar-se nos gramados pelos melhores lances e defesas e conseguir o tão almejado contrato com um grande time de futebol. Parece o relato do sonho de qualquer menino que curte o esporte, certo? Errado. Esse é o sonho de quatro meninas, entre 9 e 13 anos, que resolveram "quebrar" as regras e fazer o que mais gostam: jogar bola.

Tauany Emanuelle Wetter Silva, 9 anos; Bianca Paulina Banderlof, 12 anos; Samantha Stoll De Matia e Rafaela Panceri Tomasoni, ambas com 13 anos, quebram paradigmas a cada treino na Escola do Grêmio FBPA - Arena Central (Escolinha do Grêmio) e enchem de orgulho os treinadores. De acordo com o proprietário Nilson Pires Jardim (Nino), a chegada das meninas foi um desafio e uma surpresa muito positiva, uma vez que ele acredita que as mulheres estão conquistando um espaço importante na sociedade, mas ainda há muito trabalho a fazer. Trabalho que as quatro jovens estão ajudando a construir. "Elas não perdem o feminismo, treinam igualmente com os meninos e, no treino, não há diferenciação. Procuramos, no entanto, enaltecer essa questão de respeito entre eles, companheirismo e amizade, princípios já embutidos no esporte e que formarão cidadãos conscientes, mostrando que mulheres podem, sim, jogar futebol", afirmou Nino.

Com a preocupação de garantir a evolução das jogadoras no esporte, o técnico afirmou que o sonho da Escolinha é consegui montar categorias somente femininas. Enquanto essa demanda não aparece, as meninas treinam com os meninos em suas respectivas categorias, buscando incentivar seus talentos em campo e motivando-as a continuar.

Nino comentou que houve uma certa rejeição quando da chegada das meninas, um estranhamento natural das crianças, uma vez que, tradicionalmente, menina brinca de boneca, não joga bola.

"Buscamos incentivar os direitos e deveres, mas principalmente os ideais de igualdade entre os gêneros. As mulheres precisam de mais espaço no esporte e é só através desses exemplos que vamos conseguir melhorar esses conceitos", avaliou Nino.

Para as meninas, estar em campo é muito mais que apenas se divertir, trata-se da oportunidade de fazer o que realmente gostam e de batalharem para realizar seu sonho, serem jogadoras profissionais, além, é claro, de poderem mostrar para amigos, família e sociedade que mulheres também podem jogar futebol. Rafaela comentou que nunca foi tão bem em outros esportes como no futebol e prefere praticar a atividade física do que ficar só em casa. Quando era pequena, começou a pedir chuteiras e bola no lugar de bonecas, assim como Bianca, que, incentivada por um tio, começou a tomar gosto pela modalidade. Samantha também afirmou que sempre teve afinidade com o futebol, muito mais que com o vôlei, e acredita que pode ter uma carreira no esporte. "Superar é a melhor parte do esporte, principalmente quando conseguimos superar nossos próprios limites e os meninos, mostrando que podemos ser até melhores que eles", salientou Bianca.

A luta pelo preconceito também é uma das grandes barreiras enfrentadas pelas jovens diariamente. Segundo Rafaela, a sociedade critica mulheres que se aventuram no esporte, mas nem por isso elas pensam em desistir, uma vez que têm a liberdade de fazerem o que gostam por pura diversão ou com um objetivo maior. Seja no gol ou na linha, jogar é o que as meninas gostam de fazer e, para elas, com incentivo da família e dos amigos, é ainda melhor, pois traz mais motivação.

"Observo muitas meninas com vontade de praticar alguma modalidade esportiva, como o futebol, mas se fecham, pois acreditam que o esporte não é uma atividade feminina, quando na verdade é sim", frisou Samantha, enfatizando que as meninas que têm vontade devem procurar o apoio dos pais e enfrentar a timidez, pois nada compensa mais do que fazer o que se gosta.


(Foto: Franciele Gasparini)


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