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Fé para reconstruir

31 Março 2018 00:00:00

Igreja da Lagoinha foi totalmente destruída por incêndio e moradores já pensam em sua reconstrução

Kalyane Alves


(Foto: Kalyane Alves)


Lágrimas, histórias de vida e fé foram situações vivenciadas na quinta-feira (22). O dia ensolarado tinha tudo para ser normal, porém, para a comunidade da Lagoinha, interior de Curitibanos, foi o marco de uma perda irreparável. A fumaça preta assustou os moradores ao redor da Igreja Nossa Senhora de Fátima Lagoinha que, ao saírem de suas casas, viram desmoronar, em meio às chamas, a capela com quase seis décadas, construída pela comunidade.

A moradora Lucia Guetten, 53 anos, viu a fumaça pela janela e, assustada, levantou correndo para ver o que estava acontecendo. "Estava sozinha em casa, sem telefone, e entrei em choque pois não tinha como pedir ajuda e o fogo se alastrava. Foi então que passou um rapaz de carro e pulei na frente do veículo para ver se ele tinha um telefone e, assim, poderíamos pedirmos auxílio ao Corpo de Bombeiros", relatou Lucia, afirmando que, para ela, que sempre morou no local, é uma tristeza acordar cedo e não ter mais a visão da igreja em frente à sua casa.

Em meio as cinzas, após o Corpo de Bombeiros controlar as chamas, com dez mil litros de água, restaram apenas alguns itens da fé dos moradores da Lagoinha, que ainda esperam saber como o fogo iniciou.


Nos destroços, restaram apenas alguns itens da fé dos moradores (Foto: Kalyane Alves)

"A estrutura material está no chão, mas a igreja somos nós", expressou, em meio a lágrimas, Zélia Sartor, de 80 anos, uma das fundadoras da Igreja da Lagoinha.

Segundo ela, foram muitas lutas para construir a edificação e prefere analisar o incêndio como um sinal de Deus para coisas melhores.


Zélia e sua família ajudaram a construir a igreja (Foto: Kalyane Alves)

Zélia e sua família chegaram à Lagoinha em 1959 e realizaram duas festas, sob lonas, para viabilizar a construção da igreja oficial, em meados de 1962. "Todos ajudaram a erguer a estrutura de alguma forma. As famílias Sartor, Goetten, Zanotto e Rosa foram as que pegaram firme na arrecadação de materiais. Na época, recebemos muitas doações da vizinhança", lembrou a aposentada.

Valdir Sartor, 59 anos, filho de dona Zélia, estava no ventre da mãe quando iniciaram as movimentações para a construção da igreja. "É devastador ver tudo queimado. Aquilo era o resultado de uma história de vida. Uma das coisas que mais nos entristece foi ter perdido o altar, que era parte da antiga Matriz Imaculada Conceição e ganhamos de presente", revelou.


Altar pertencia à Igreja Matriz e foi doado à comunidade (Foto: Tatiana Ramos

Conforme Valdir, uma nova reforma da igreja estava prevista para abril. Os planos, agora, são de reconstruir a igreja e tentar manter o mesmo estilo da original. A festa para arrecadar fundos está marcada para os dias 5 e 6 de maio. "Sempre trabalhamos com amor, então, a recompensa virá. Só temos a agradecer a todos pelo apoio, principalmente aos bombeiros e aos movimentos religiosos que têm nos ajudado, lembrando que toda doação é bem-vinda", salientou Valdir.

Moradores planejam reconstruir igreja (Foto: Kalyane Alves)


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