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De onde nasce a democracia?

19 Outubro 2018 09:10:00

Professor curitibanense de Filosofia e Sociologia Arlindo Alberton fala sobre a nova democracia brasileira

Franciele Gasparini


"Não dá para obter respostas simplistas para problemas complexos. A sociedade é uma construção complexa", afirma professor para estudantes . (FOTO: FRANCIELE GASPARINI)/

Democracia. Palavra de dez letras que, no dicionário, quer dizer sistema de governo em que cada cidadão tem sua participação ou dedicado aos interesses do povo. Em meio a discussões sobre formas de governos, com tons alterados pela disputa presidencial deste ano, nesta quinta-feira (25) celebra-se o Dia da Democracia no Brasil.

A data nasceu de um episódio histórico, em 1975, quando o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado em uma sessão de tortura no Destacamento de Operações Internas - Comando Operacional de Informações do II Exército. A morte do jornalista provocou a primeira reação popular contra os excessos do regime militar de 1964, tornando-se um marco na luta pela redemocratização do Brasil.


Inspirado na Grécia antiga, Projeto Ágora nasceu no Colégio Maria Imaculada . (FOTO: DIVULGAÇÃO)/

O tema traz à tona o questionamento de qual modelo de democracia é vivido pelo brasileiro na atualidade e quais os caminhos que a sociedade brasileira deve tomar para chegar a um modelo democrático ideal, tendo como base o conhecimento e os anseios de que a vontade popular seja atendida pelos governantes. Quem responde é o professor curitibanense de Filosofia e Sociologia Arlindo Alberton, salientando que, no Brasil, o que se tem é uma democracia representativa, constituída a partir de representantes eleitos pela nação. O termo é um pouco diferente do original, nascido na Grécia e que está fortemente ligado ao conceito básico de política. Segundo o professor, política significa cuidar dos assuntos da cidade e, na Grécia, ser político era um dever, mas participavam apenas homens, maiores de idade, que tivessem prestado serviço militar e fossem filhos de pessoas nascidas em Atenas. Esses "políticos" eram eleitos por duas câmaras, onde eram feitas discussões em espaços públicos chamados de ágora grega - um mercado onde também eram promovidas discussões políticas. 

O modelo genuíno de democracia inspirou o professor a implantar uma ágora no Colégio Maria Imaculada. A iniciativa surgiu há cinco anos e partiu dos estudantes do Ensino Médio, que queriam reproduzir a teoria estudada em sala de aula, na prática, levando ao debate diversos temas que incidem sobre a sociedade, como a eutanásia, pesquisas envolvendo células tronco e aborto. Arlindo explicou que a ágora reúne estudantes do CMI, EEB Casimiro de Abreu e Universidade do Contestado, a fim de estimular o pensamento crítico, a busca pelo conhecimento, desenvolvimento da cultura e a participação em debates que fortaleçam essa procura pelo saber, expondo opiniões que serão ouvidas e debatidas com base em pesquisas e levantamento de dados.


(FOTO: FRANCIELE GASPARINI)/

Para o professor, a ágora representa puramente o processo democrático e como ele deve ser tratado na atualidade. "Não dá para obter respostas simplistas para problemas complexos. A sociedade é uma construção complexa", completou.

No entanto, essa realidade, conforme o professor, é percebida raramente, tanto pela população quanto pelos representantes da nação no meio político. Arlindo salientou que, atualmente, a política nacional foge do conceito básico de democracia e está pautada em discursos generalistas e populistas que se distanciam da realidade vivida pela população.

"Os políticos utilizam de discursos para agredir seus oponentes

e não mais para promover um debate sobre questões que permeiam a sociedade", observou.

Com um modelo democrático jovem, com cerca de 30 anos desde a redemocratização, Arlindo salientou que o Brasil está a alguns passos se alcançar uma maturidade política. Um dos exemplos citados pelo professor é a França, que conta com um modelo democrático de mais de 300 anos e está em constante adaptação, passando por crises e mudanças.

"Tudo faz parte de um processo que leva tempo, precisa de mudança de pensamento e atitudes, mas principalmente, da mudança de postura dos governantes que tomam a coisa pública como sua para fazer o que bem entendem, desvirtuando o conceito de democracia representativa", avaliou o professor.





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