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VARIEDADES

Cem anos de boas energias

14 Abril 2019 10:00:00

Para centenária, o segredo da longevidade está em não guardar rancor de nada em seu coração

Rubiane Lima


Ao lado do filho Valdecir, Analia recorda parte das histórias vividas por ela e por sua família (Foto: Rubiane Lima)/

De voz forte, memória invejável e cercada pelo amor de seu filho, nora e netos, Analia Kalbusch é mais um reflexo da longevidade curitibanense. Neste domingo (14), ela comemora seu centésimo aniversário, orgulhosa por não precisar fazer uso de muitos remédios e por impressionar os médicos que a visitam regularmente.

Nascida em Alfredo Wagner, mas curitibanense de coração há mais de 50 anos, Analia passa os dias ao lado de sua família. Entre seus hobbies, ela não larga a leitura, principalmente da bíblia, e seus programas religiosos preferidos na TV. Ao lado do marido Osni de Souza, falecido há seis anos, ela teve o filho do coração Valdecir da Silva, que foi adotado aos 11 meses e transformou o casal em uma família completa.

Hoje, suas pernas já não obedecem aos comandos da mesma forma que antes, mas o olhar transparece a alma jovem de alguém que tem uma vida feliz. "Sofri muito na vida, trabalhei desde criança para ajudar a sustentar a família, mas, apesar de tudo, sempre fui muito feliz", conta. Segundo ela, na época em que trabalhava na roça, colocava a enxada nas costas e descia os morros cantando e dançando, terminando o dia com banhos de rio, sem deixar o trabalho exaustivo afetar seu desejo de ser livre e feliz.

Analia recorda que iniciou sua lida no campo aos 10 anos, pois seu pai faleceu quando todos os filhos ainda era crianças e cada um precisava ajudar de alguma maneira. Mesmo assim, conseguiu seguir com os estudos até o 4º ano, o que era raro na época, pois tudo era longe e difícil e, desde cedo, as crianças tinham de trabalhar para ajudar em casa. Para ajudar os mais jovens, ela foi professora de escola multisseriada, além de atuar como catequista.


Analia estudou até o 4º ano e foi professora em escola multisseriada, no interior (Foto: Divulgação) /

Por baixo da artrite que decidiu criar morada em suas duas mãos, Analia guarda seu maior talento adormecido, dom que a moveu durante toda sua vida: a costura. Entre fotos antigas e boas lembranças, ela recorda que, a partir do momento em que aprendeu a costurar, um novo horizonte se abriu e foi na companhia dos tecidos e agulhas que despertou para uma vida de realizações. "Eu trabalhava das seis da manhã às dez da noite sem parar. Sempre tive uma clientela muito boa por onde passei e, hoje, o que eu mais sinto falta é de poder costurar", desabafa.

Com os olhos marejados pelas recordações, Analia conta com carinho sobre quando chegou a Curitibanos e tinha seus familiares por perto. Vinda de uma família com sete irmãos, ela é a única que sobreviveu ao passar do tempo. "Sinto muita falta dos meus familiares, da minha mãe, pai, meu marido, irmãos, mas tenho uma fé muito forte e ela me ajuda a suportar a dor de não ter mais eles por perto", diz.


Sempre acompanhada do marido Osni, ela não ficava longe de sua máquina de costura (Foto: Divulgação) /

Desde criança vivendo uma vida árdua e de muito trabalho na roça, a centenária ressalta que, para viver bem, é preciso tirar toda a mágoa e ódio do coração e, mesmo nos momentos difíceis, saber levar a vida com bom humor, tirando uma boa lição de tudo. Ao lado do filho, da nora Creuza Duraes da Silva e dos netos Lucas e Mariana, Analia comemora sua saúde e ensina a todos como viver bem. "Não tenho nenhum rancor dentro de mim, nunca guardei mágoa de ninguém e aprendi a perdoar desde cedo. Só desejo que Deus dê paz no coração de todas as pessoas e que todos possam viver bem", aconselha como segredo para longevidade.

(Foto: Divulgação) /

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