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Celebrando a cultura e a paz

16 Junho 2018 08:03:00

Wataru Ogawa diz não trocar o Brasil por nenhum outro lugar do mundo

Rubiane Lima


Para o ex-soldado, é importante que os horrores da guerra não sejam esquecidos, para que não voltem a acontecer . (FOTO: ARQUIVO/ASEMANA)

Apaixonado pelo país que escolheu para viver, o único sobrevivente da bomba atômica a continuar morando em Frei Rogério, Wataru Ogawa, celebra, nesta segunda-feira (18), os 110 anos de imigração japonesa no Brasil. No mesmo dia, ele comemora seu aniversário de 89 anos e segue transmitindo ensinamentos de gratidão, paz e boa convivência em todos os lugares que passa. 

A decisão de vir para o Brasil surgiu em 1961, quando, casado com Chiyo Ogawa, Wataru seguiu o ideal do cunhado Kazumi e mudou-se para o país com a esposa e dois filhos, mesmo contrariando sua família. Em Frei Rogério, ele e sua família dedicaram-se à agricultura e conquistaram seu espaço. Seu filho Naoki Ogawa conta que o pai sempre recorda, com forte sentimento de gratidão, a receptividade dos brasileiros. "Foi onde os imigrantes encontraram espaço para trabalhar e buscar por suas conquistas. Hoje, temos orgulho de tudo que conquistamos e somos gratos pelo espaço e oportunidade que nossas famílias tiveram", afirma.

Wataru realiza encontros e palestras com estudantes, para contar suas experiências durante a guerra e a importância de viver em harmonia. "Convivi com guerras desde os 7, 8 anos e, na Segunda Guerra, parecia correto ser soldado. Hoje, não penso mais em guerra; falar em paz é fundamental", explica. Ele relata que estava em Hiroshima, no dia 6 de agosto, quando a bomba destruiu a cidade. Aos 14 anos, servia a Marinha, por incentivo de um professor, o que era comum naquela época. "Eu gostaria de ter ido para a China, trabalhar com agricultura, mas acabei entrando para a Marinha. Isso era muito incentivado nas escolas, onde aprendíamos que era uma honra morrer pela pátria", relata Wataru.

Wataru tem dedicado sua vida a propagar a cultura de paz e manter a cultura japonesa ativa nas comunidades nipônicas . (FOTO: ARQUIVO/ASEMANA)

Wataru conta que, no dia em que a bomba foi lançada sobre Hiroshima, ele estava em um navio e não sabia o que havia acontecido, apenas presenciou uma cena que não sai de sua memória. "Voltando para a base, vimos muitos mortos na água, era um rio de corpos, mas só ficamos sabendo sobre a bomba quando chegamos em terra", relata. Três dias depois, ele e outros soldados foram informados sobre a bomba em Nagasaki, ainda mais potente e que havia destruído a cidade. Assim, todos foram convocados a apresentar-se à base, no dia 15 de agosto, onde receberam a liberação do serviço militar e a notícia de que haviam perdido a guerra.

Depois de viver os horrores da guerra, Wataru tem dedicado sua vida à divulgação da cultura de paz, sempre motivando a todos a viver bem em conjunto e aproveitar as coisas boas da vida.

(FOTO: ARQUIVO/ASEMANA)

Sobre a data

Foi em 18 de junho de 1908, que chegou ao porto de Santos o Kasato Maru, navio que trouxe 165 famílias de japoneses. Grande parte desses imigrantes era formada por camponeses de regiões pobres do norte e sul do Japão, que vieram trabalhar nas prósperas fazendas de café do oeste do Estado de São Paulo.

No começo do século XX, o Brasil precisava de mão de obra estrangeira para as lavouras de café, enquanto o Japão passava por um período de grande crescimento populacional. A economia nipônica não conseguia gerar os empregos necessários para a população, então, para suprir as necessidades de ambos os países, foi selado um acordo imigratório entre os governos brasileiro e japonês.

Nos primeiros dez anos da imigração, aproximadamente quinze mil japoneses chegaram ao Brasil. Esse número aumentou muito com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A maioria dos imigrantes preferia o Estado de São Paulo, pois, nessa região, já estavam formados bairros e até mesmo colônias com um grande número de japoneses. Porém, algumas famílias espalharam-se para outros cantos do Brasil, como agricultura no norte do Paraná, produção de borracha na Amazônia e plantações de pimenta no Pará.

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