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Catarinense troca medicina veterinária por negócio de cosméticos e amplia em 10 vezes faturamento da empresa

22 Abril 2018 07:00:00

Pai de Luane Lohn pediu que ela fosse fechar a empresa da qual era sócio e que estava falindo, mas ela acabou ficando e transformando em indústria lucrativa.

Por Géssica Valentini, Especial G1 SC


 De médica veterinária a empresária, catarinense recupera negócio de cosméticos e amplia faturamento em 10 vezes (Foto: Arquivo Pessoal) 


A catarinense Luane Lohn estava tranquila trabalhando como médica veterinária quando seu pai, sócio de uma indústria de cosméticos, pediu que ela fosse fechar o negócio, depois que os outros sócios o procuraram dizendo que a empresa estava falindo. Porém, ao conhecer o cenário do empreendimento, ela percebeu que embora os números não fossem bons, havia potencial de crescimento.

"Vi que as dívidas eram com bancos, mas os fornecedores estavam em dia, havia uma carteira de clientes sólida e uma equipe engajada e disposta a trabalhar", contou ela, que se sentiu desafiada a recuperar o empreendimento, e acabou se apaixonando pela área.

Iniciou assim uma nova fase: passou a atuar como médica veterinária apenas no fim de semana e praticamente começou uma nova empresa, por isso também decidiu mudar o nome. "Era o fim de um ciclo e o início de outro, então optamos por Ciclo Cosméticos", explica Luane, atualmente presidente da empresa, que fica em Palhoça, na Grande Florianópolis.

O nome é uma alusão ao ciclo da empresa, mas também faz uma relação com o tempo cronológico, seja da vida dos clientes, quanto do dia. "Nós temos clientes que começaram usando nossos perfumes quando eram adolescentes e agora são adultos e continuam usando. E para o dia, temos fragrâncias para usar no trabalho, na academia e, depois, se quiser algo mais marcante, para sair à noite. Nosso objetivo é estar presente em todos esses ciclos", comenta a empresária.

Apostar em tendências

Desde sua chegada, cinco anos se passaram e o faturamento da empresa aumentou pelo menos 10 vezes, principalmente com a reformulação do portfólio. Antes, a empresa vendia perfume a granel. Com a nova gestão, continuaram fabricando perfumes líquidos, mas também começaram a produzir hidratantes perfumados.

"Hoje nosso carro-chefe é um produto que antes sequer existia", afirma.

Os hidratantes hoje correspondem a 60% do faturamento. Os outros 40% correspondem a vendas de perfumes líquidos, body splash ou estojos com colônias.

Para conseguir esses resultados, Luana diz que foi importante não apenas aperfeiçoar a gestão, mas estudar o mercado constantemente e estar sempre atento às tendências: "Há pouco tempo a tendência eram os unicórnios. Nós lançamos um produto cuja embalagem tem um unicórnio. Na época da moda do sereismo, lançamos produtos inspirados nisso. Precisamos dar uma resposta rápida ao mercado. Quando a tendência chega ao Brasil, já estamos lançando".

A apresentação dos produtos é outra preocupação que, segundo Luane, faz diferença na hora que o cliente decide comprar um produto. "Emoção! É o que define o negócio de perfumaria. Não tem preço. Fragrância é emoção pura. Então, quando lançamos um produto, o cliente precisa olhar para ele e já sentir algo na embalagem. Ele precisa querer levar pra casa", comenta ela.


A apresentação dos produtos é uma das preocupações de Luane (Foto: Arquivo Pessoal) 


Momentos de crise

Em momento delicados, a empresária acredita que é essencial manter a franqueza sobre a situação com todos os envolvidos - funcionários, clientes e fornecedores: "Desde o início nós explicamos a situação para os fornecedores e clientes, para que eles compreendessem e confiassem que a mudança de gestão só traria bons resultados. Isso cria solidariedade com o momento do negócio", afirma.

Além disso, Luane considera essencial se cercar de pessoas competentes, que conheçam a área, sobretudo em situações como a dela, que tinha experiência em gestão, mas não no mercado de beleza.

Como empresária, ela também foi buscar mais capacitação na área: fez um MBA em gestão empresarial, começou a visitar os negócios voltados ao setor de cosméticos, ler revistas especializadas e conversar com pessoas relacionadas à àrea.

Atualmente, a empresa atende de Norte a Sul do Brasil, distribuindo para grandes varejistas, farmácias e outros comércios. "Eu estou constantemente viajando para descobrir tendências do mercado de outros países, mas principalmente do meu consumidor. Eu costumo visitar os lojistas parceiros, porque são eles que estão em contato direto com o cliente, para saber o que ele quer", conta ela, que muitas vezes se surpreendeu com pedidos que não imaginava que seriam tendência.

"É preciso ter muita humildade para ouvir os clientes. Deixar a vaidade de lado, aquele sentimento de 'eu sei o que o mercado quer'", complementa ela.

Com o aumento da produção, outra estratégia foi terceirizar parte da produção. "Atualmente nós produzimos 20% aqui. O restante, 80%, são produzidos por empresas terceirizadas. Nós focamos em pesquisa e desenvolvimento, que é o nosso forte, e deixamos outras empresas especializadas em produção fabricarem os produtos", explica.

Conforme a empresária, no ano passado a Ciclo Cosméticos cresceu 30%, e este ano a expectativa é de um crescimento ainda maior. Entre as apostas estão o lançamento de uma linha infantil, também planejada após ouvir os varejistas e entender o que os consumidores estavam sentindo falta no mercado: "o desafio é continuar desenvolvendo novidades e crescendo", finaliza ela.

O que acha essencial para o sucesso de um negócio?

"Do empresário: dedicação, persistência e humildade para ouvir o mercado, aprender com o erro do outro ou dos próprios erros e também para buscar pessoas qualificadas. Enquanto empresa, é importante questionar: 'quem somos?, quais as virtudes e fragilidades?, para quem você vende? Saber isso é essencial para enfrentar os desafios e saber onde é preciso colocar o foco.

Além disso, para qualquer negócio é preciso equilíbrio entre cautela e coragem. Saber a hora de segurar de ousar. Meu pai sugere um questionamento: 'essa decisão que eu vou tomar, se der errado, vai me quebrar?' Se a resposta for afirmativa, avalia um pouco mais. Caso contrário, vai com tudo".

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