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LIVRE

Brasileiro por escolha

Richard Champilou não é um imigrante econômico, mas um grande apaixonado pelas terras brasileiras

Rubiane Lima


(Foto: Rubiane Lima) 

Com sotaque que não esconde sua origem, rodeado de livros, fotos e história, o imigrante francês Richard Champilou, que chegou em Curitibanos há mais de 10 anos, se define como um grande apaixonado pela língua portuguesa, destacando que escolheu o Brasil como sua casa, sem razões econômicas, mas por reconhecer no país, um verdadeiro lar. Nesta terça-feira (25), é celebrado o Dia do Imigrante e Richard divide um pouco de suas histórias.

Francês, morando no Brasil e casado com uma japonesa. Através dessa mistura cultural, o designer e técnico da madeira leva uma vida tranquila e carregada de conhecimento. Sua história iniciou nos subúrbios de Paris. Aos 19 anos, trabalha em uma sala de cinema que promovia pequenos festivais de cinema mundial, onde conheceu a atriz, cantora e cineasta Vanja Orico, quem considera sua madrinha brasileira. "Nos conhecemos e ela disse que eu precisava conhecer o Brasil e a vida cultural do país. Em 15 de setembro de 1975, desembarquei pela primeira vez, conheci o interior de Goiás e, realmente, me apaixonei pela vida brasileira", recorda.

Depois dessa primeira visita, retornou para França e, em 1980, foi convidado para uma expedição na Amazônia. Para chegar ao Brasil, atravessou o Atlântico em um veleiro, numa viagem de 21 dias com navegação tradicional e orientação através das estrelas. "Li muito antes de viajar, eu já havia estudado latim e isso me aproximou da gramática brasileira. Fernando Pessoa ajuda a me definir com a frase 'A minha pátria é a língua portuguesa', algo que estou sempre estudando e buscando falar e escrever corretamente, pois considero poético, suave, musical", destaca.

(Foto: Arquivo A Semana) /

Como imigrante, lembra que chegou ao Rio de Janeiro numa época em que não havia tamanha violência e problemas pontuais existentes hoje. "Não tinha como não me apaixonar, era uma vida muito feliz, calorosa, festiva e rica culturalmente", conta. Em Curitibanos, chegou atraído pela abundância em matéria prima para sua atividade com madeira. Ele chegou a morar em Belém, no Pará, mas ao mapear as áreas de reflorestamento no país, observou a cidade como coração do plantio de pinus em Santa Catarina e trocou o Norte pelo Sul do Brasil. 

Em Curitibanos, o francês encontrou o material que procurava para seus trabalhos com design de móveis e sistemas construtivos de madeira, mas não só isso. Ele afirma que o povo acolhedor, a paisagem e o clima também fizeram com que se encantasse com a cidade. Com pais e dois filhos ainda morando na França, ele explica que a saudade é driblada com visitas e telefonemas, não havendo planos de sair do Brasil para fixar residência em outro lugar.

Colecionador de histórias, o imigrante tem entre seus hobbies o motociclismo; período de atuação no teatro; participação em série na Guiana Francesa, chamada Guyana, sobre a corrida pelo ouro; paixão por culinária; relação de bibliotecas; trabalho em madeira; e suas viagens pelo mundo. "Novamente me utilizando de frase de Fernando Pessoa, acredito que 'viver não é preciso, navegar é preciso'", esclarece.

Para Richard, o Brasil ainda tem muito evoluir em tamanho e desenvolvimento, mas para isso, será preciso investir em educação. "Não tem outra saída, precisamos de mão de obra qualificada, pois o povo é a maior riqueza de um país", destaca, ainda, ser um grande garoto propaganda do país em todos os locais que passa, levando a alegria e acolhimento do povo brasileiro por onde passa.


(Foto: Divulgação) /



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