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VARIEDADES

Amor acima de tudo

18 Março 2019 11:12:00

Desde o primeiro momento, família acolheu Luan com todo amor que poderia dar

Rubiane Lima


Sandra conta que seu filho Luan é carinhoso, extrovertido e gosta de abraços o dia todo (Foto: Rubiane Lima)/

Em 1959, quando o professor francês Jérôme Lejeunea anunciou a descoberta científica da Síndrome de Down, pesquisadores comemoraram a notícia como um importante avanço. No entanto, passados 60 anos, quem nasce com essa alteração genética ainda sofre com o principal impedimento para levar uma vida normal: o preconceito.

Nesta quinta-feira (21), quando é comemorado o Dia Internacional da Síndrome de Down, familiares e profissionais que convivem no dia a dia com portadores da síndrome aproveitam a data para esclarecer dúvidas e derrubar resistências quanto à participação dessas pessoas na sociedade. Um exemplo disso vem da família de Luan Pereira de Almeida, que completa 18 anos na próxima semana.

A mãe de Luan, Sandra Aparecida Pereira de Almeida, conta que descobriu a síndrome do filho após o nascimento, mas, para ela, seu esposo Adair Antonio Leirias de Almeida e sua família, nunca fez diferença no sentimento, convivência e atividades diárias. Ela lembra com carinho que, ao dar a notícia, a médica responsável disse que Luan precisaria de mais amor para crescer forte e saudável. Segundo Sandra, no mesmo instante, surgiu um amor tão forte que é o que os motiva até hoje e os torna capazes de enfrentar tudo o que for preciso.

Mãe de outros dois filhos, ela recorda que, há 18 anos, a informação era muito mais difícil e precisou viajar muito para consultar médicos em outras cidades. "Foram muitos anos de viagens, mas nós tratávamos como um passeio e acabava sendo divertido tanto para o Luan quanto para nós", relata.


A família descobriu a Síndrome de Down após o nascimento de Luan, passando a fazer parte dos atendimentos da Apae (Foto: Divulgação)/

Sandra explica que, quando Luan completou 27 dias de vida, já iniciou sua rotina na Apae, abrindo novo horizonte de possibilidades de crescimento. "Sempre digo que eu trouxe ao mundo e a Apae me ajuda a cuidar desde então, pois não sabíamos nada sobre a síndrome e recebemos toda orientação necessária para o melhor do nosso filho, que é a grande razão das nossas vidas", declara.

Com 12 anos, a Apae questionou à família se gostariam que Luan também frequentasse a escola regular, mas a opção foi por continuar na Apae, onde os resultados e acompanhamento são bastante positivos, além de Luan demonstrar gostar muito das pessoas, dos ambientes e das atividades desenvolvidas na escola especial. "Eles são a segunda casa e segunda família do Luan", garante a mãe, acrescentando que, como outros jovens, ele também gosta de fazer selfies, ouvir música, assistir à TV e vídeos no YouTube e tem sua própria conta no Facebook.

No entanto, apesar de toda informação disponível, Sandra ainda percebe muito preconceito com portadores de Síndrome de Down. "Nunca deixei, nem deixo de ir a um local com meu filho por conta dos olhares, mas percebo que as pessoas ficam observando, fazem perguntas indiscretas, comentam, mas entra por um ouvido e sai pelo outro. Meu filho é perfeito, saudável, inteligente e nenhum comentário vai mudar isso. O que falta nas pessoas é amor pelos outros", desabafa.

"Ninguém fica para trás"

Esse é o tema do Dia Internacional da Síndrome de Down deste ano, destacando que todas as pessoas com a síndrome devem ter oportunidades para viver vidas plenas e serem incluídas em igualdade de condições com os demais, em todas as esferas da sociedade. Na Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, um plano global de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade, os países assumem o compromisso de que "ninguém fique pra trás", buscando alternativas para que todas as pessoas sejam bem atendidas e consigam seguir com qualidade suas vidas.



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