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ESPORTE

A força nos ringues

Aos 16 anos, Courtney Cunha conquistou o título de campeã brasileira de muay thai

Por Rubiane Lima


Há um ano e sete meses treinando, Courtney já coleciona títulos estaduais e o nacional (Foto: Renata Westphal) /

Olhos atentos, golpes rápidos e técnica aprimorada todos os dias, fazem parte da rotina da lutadora Courtney Cunha, que aos 16 anos conquistou o título de campeã brasileira de muay thai, em competição realizada no último fim de semana, em São Paulo, reunindo a elite da modalidade.

Filha dos atletas Rafael Cunha e Anna Carinha Cunha, há um ano e sete meses a adolescente decidiu se dedicar ao esporte. Mesmo com o incentivo dos pais, ela explica que a luta foi algo que despertou nela a imensa vontade de se dedicar e superar seus limites cada vez mais. "Eu já gostava de ver meus pais lutando, mas ao iniciar o treinamento, descobri algo de que gostava muito e que está aumentando cada vez mais", conta.

Por trás dos olhos azuis, a menina esconde sua verdadeira força: a determinação. Mesmo tímida e de poucas palavras, Courtney transparece verdadeira paixão pela luta e pelos treinamentos. "Lutar é minha vida. Se não estou na escola, estou na academia. Lutar já faz parte de mim", declara.

Orgulhosa, a mãe conta que Courtney é uma filha atenciosa e preocupada com o bem-estar de toda família. "É ela quem faz nosso almoço e quando estou de dieta para alguma luta, faz minha comida separada, sempre atenciosa às necessidades de todos os integrantes da família", destaca. Com nome de cantora grunge famosa, inspirado em Courtney Love, viúva do líder do Nirvana Kurt Cobain, a lutadora segue o contrário da vocalista da banda Hole, sendo uma adolescente tranquila, de jeito doce e dedicada aos estudos.

Courtney recorda que na primeira vez que subiu em um ringue para competir, nem sabia direito o que estava fazendo. "Na primeira vez, geralmente, os lutadores vão no piloto automático, pois nem imaginam o que vem pela frente. A partir da segunda luta, com mais experiência, eu já sabia o que fazer e a ansiedade passou a ser cada vez maior", destaca.


Família Cunha está sempre reunida nos treinamentos e competições (Foto: Renata Westphal) /

Para ela, a parte mais difícil da vida do lutador são as dietas e a necessidade de bater o peso, chegando a ficar dias seguidos com fortes restrições alimentares, como cortar o sal e açúcar, muitas vezes, até a água, para alcançar o peso necessário para a luta. "Tudo isso faz parte, mas garanto que tudo vale a pena quando conseguimos sair vitoriosos de um ringue", diz. Mesmo com a pressão dentro do ringue e dos gritos da torcida, a adolescente ressalta que escuta perfeitamente a voz de seu pai e técnico. "A voz dele é a única coisa que eu escuto. Ele me guia e me ajuda a dar o melhor de mim", declara.

Entre seus títulos estão o de campeã catarinense por quatro vezes entre muay thai e kick boxing e o de campeã brasileira. Além do exercício físico, ela destaca o que a luta a fez aprender com relação a respeito, convivência e família, recomendando a arte de lutar para todas as pessoas, independente da idade.


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