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Personagens Folclóricos

29 Outubro 2017 15:31:00


Nesse momento oportuno, próximo do dia dos finados, não apresento uma biografia, e sim, presto minhas homenagens a esses humildes personagens folclóricos que marcaram época com sua inocência, pouco lembrados nos anais de nossa história. 

João Maria Gois - João Bobo perambulava ao sabor dos ventos pelas ruas da cidade, abordava as pessoas de seu conhecimento às quais transmitia as novidades do dia. Hoje chega o Governador, o Deputado fulano ou outra personalidade em voga. A sua maior preocupação: Tocar o sino da Igreja Matriz às seis horas da manhã, meio dia e seis da tarde, assim completa a sua tarefa diária. Preocupado a rotina religiosa da Paróquia local, assistia as missas e acompanhava os mortos até cemitério após as encomendações, portando à frente uma cruz de madeira. Falece decorrente de enfarte em 24 de novembro de 1970.

Francisco A. Rosa - Chico Louco, atendia a chegada dos ônibus na antiga Rodoviária - prédio Tortato, na Avenida Salomão Carneiro de Almeida, carregava as malas e pacotes dos viajantes. Com isso ajudava no sustento da mãe. Era uma rica criatura e estimado por todos.

Aguarda no bar a chegada do último ônibus, e no anoitecer para sua infelicidade, resolve entrar no Bar e Hotel Cristo Rei situado na Avenida Rotary esquina com a Avenida Salomão Carneiro de Almeida, recusa dar um cruzeiro para pagar a ficha de sinuca, é seguido e surpreendido pelo jovem conhecido, que lhe desfere 57 facadas próximo de matagal na mesma Avenida.

Acácio Simião dos Santos - Acácio, de tantas correrias entre a piazada da cidade que não o deixava em paz. Acácio vai tomar banho! Ele em defesa investia com violência, nunca conseguia alcança-los. Foi à figura humana mais singular. Perambulava pelas ruas da cidade transportando um saco de linhagem, carregado de lenha, de roupas doadas ou que pegava nos varais nas imediações do centro. As pessoas mais generosas davam-lhe dinheiro e então seu contentamento era infinito.

Débil mental, sem um tratamento adequado. Mas em si, era uma criatura mansa. Apenas o divertimento da molecada. Atropelado por uma Kombi no inicio da noite de 21 de janeiro de 1974, fratura gravemente o crânio, na época os recursos clínicos do hospital eram ainda precários, acaba falecendo.

Ademar Cavalheiro do Amaral - Maia, outra figura humana singular, vivia solto, sem qualquer tratamento médico especialista. Conhecido e querido pelos curitibanenses, principalmente os comerciantes já acostumados com sua presença, nunca lhe negaram pedaço de pão ou um prato de comida.

Era comum entrar nos bares do Centro pra pedir dinheiro, pagavam um lanche, mas tinha tomar um gole de pinga, ao sentir descer a garganta, abanava asa mãos e sussurrava "Queima, queima". Outro fato marcante, quando reuniam ele e o Acácio, compravam roupas na Feira Paulista na Avenida Salomão Carneiro de Almeida, levavam ambos na cachoeira próxima ao atual Hospital Regional Hélio Anjos Ortiz, faziam tomar banho e colocar as roupas novas, queimando as velhas. Maia falece em 12 de outubro de 1983.

Humildes personagens folclóricos que também marcaram com sua inocência: Lalau, a Sogra, da Gaiáda, Gina, Assis da Rodoviária e tantos outros que não lembro no momento. O Valdemar ainda vive, é comum encontrá-lo circulando no Centro com seus cachorros, a procura de material reciclável ou algo que chame a atenção.


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