Curitibanos,
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Jornal O Trabalho

11 Fevereiro 2018 21:40:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Em 3 de julho de 1907, fica decretada a lei nº 41, como seguinte teor: O cidadão Coronel Francisco Ferreira de Albuquerque, Superintendente Municipal de Curitibanos, faço saber a todos os habitantes deste município que o Conselho municipal decretou, eu sanciono a seguinte lei: 

Art. 1º - Fica o Superintendente Municipal autorizado em auxiliar com a quantia de 500$000 (réis) ao Jornal O Trabalho (Órgão do Partido Republicano Catarinense), que em breve se publicará nessa vila.

Art. 2º - A importância que trata o artigo antecedente será descontada em trabalhos publicados, relatórios, talões, leis avulsas e toda outra espécie de publicação, cujos preços não poderão exceder que atualmente paga aos jornais da região serrana.

Art. 3º - O Superintendente tomará as necessárias providências, com o objetivo de acautelar os interesses municipais, em relação ao mencionado auxilio.

Art. 4º - Revogam-se as disposições contrárias. Mando, portanto a todas as autoridades que tomem conhecimento na execução desta lei, que a cumpram e façam cumprir, tão inteiramente o que nela contém.

Curitibanos 3 julho de 1907 - Francisco Ferreira de Albuquerque - Cornélio de Haro Varela.

Em seguida o Coronel Albuquerque reúne os interessados, e fundam uma sociedade particular, planejando a aquisição e exploração de uma tipografia e jornal. O contrato foi assinado pelos cidadãos: Francisco Ferreira de Albuquerque com 1.500$000 (réis) - Tenente Coronel Henrique Paes de Almeida com 100$000 (réis) - Capitão João Alves Sampaio com 100$000 (réis) - Tenente Coronel Faustino José da Costa com 200$000 (réis) - Tenente Coronel José Rauen com 100$000 (réis) - Capitão João da cruz Maia com 50$000 (réis) - Capitão Leogildio Vicente de Mello com 50$000 (réis) - Major Salvador Calomeno com 50$000 (réis) - Tenente Domingos de Oliveira Lemos com 150$000 (réis). Perfazendo o capital social de 2.800$000 (réis).

Houve dificuldade na aquisição e transporte da máquina impressora. A viagem com destino a Desterro (Florianópolis - SC) levava aproximadamente de 20/30 dias a cavalo, isso quando não surgiam problemas com os índios que moravam nas margens das estradas. O Coronel Albuquerque encarrega Maximino Pires de Lima em buscar a máquina e assessórios, que aluga uma carroça de Domingos Bernardo no transporte da preciosa carga de Desterro até Aquidaban - SC (Apiúna), que era transitável.

De Aquibadan pra Curitibanos a impressora viaja em ombros de homens que foram a pé, conduzindo animais com cargueiros levando alimentos e barracas. Os 50 homens colocam a máquina em padiolas ou banguês, erguem nos ombros em fila dupla de 16, revezando no percurso, enquanto as peças pequenas são colocadas em cargueiros.

Próximo da vila outra turma foi ajuda-los no transporte. Antônio Mafra da Rocha, João Maria de Oliveira e mais dois operários, que distribuíam e auxiliavam João França de Morais na impressão. (Informativo Renovação n° 5 de 08 de maio de 1976 - Correspondência de Coracy Pires de Almeida)

O Jornal funciona em uma casa na Rua Coronel Vidal Ramos até setembro de 1914, quando ocorre o ataque dos caboclos revoltosos, incendiando a sede do jornal na Guerra do Contestado. Apesar de danificados por possuir mais de 100 anos, ainda se encontra um exemplar do jornal e a impressora, que estão expostos no Museu Antônio Granemann de Souza.

Veja mais na coluna desta semana, disponível na edição impressa em todas as bancas ou através de assinatura pelo telefone (49) 3245-1711.

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