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Sinal vermelho

20 Abril 2018 09:02:00

'Em um acidente de trânsito, as vítimas não são apenas os mortos e feridos'

Tatiana Ramos


(Foto: Divulgação)

Uma nova legislação de trânsito entrou em vigor nesta quinta-feira (19), prometendo penas mais severas para motoristas embriagados que se envolverem em acidentes com vítimas. Pela nova lei, motoristas nessa situação não terão mais direito à fiança e podem ficar presos de cinco a oito anos. 

Para autoridades policiais, a mudança é vista com bons olhos, uma vez que o medo da prisão pode fazer com que o motorista que estava acostumado a dirigir depois de tomar uns drinks com os amigos pense duas vezes. Mesmo que seja pelo medo e não pela conscientização, essa bem mais difícil de alcançar, tornar as multas mais pesadas e as leis, mais rigorosas é um passo importante para coibir acidentes tão frequentes quando a pessoa atrás do volante já está com os reflexos alterados pelo álcool.

No entanto, essa alteração não é autossuficiente e não pode ser vista como a "salvadora da pátria". A questão trânsito merece e precisa de uma reflexão constante, diária e permanente, que só pode vir através de uma mudança de postura e consciência. O problema é coletivo, mas as mudanças têm de ser individuais, com cada um tomando para si a responsabilidade que lhe cabe como parte do trânsito de sua cidade.

Na tentativa de coibir ações de imprudência no trânsito, como a embriaguez ao volante, já se tentou de tudo: de educação a multas pesadas. No entanto, parece um problema sem solução. Por mais campanhas que se promovam e por mais altas que sejam as cobranças por infrações, os números seguem em vertiginosa curva ascendente. Controlar os motoristas nas estradas tem sido quase como enxugar gelo.

Resta, às autoridades responsáveis pelo setor, a dor de cabeça de encontrar uma fórmula eficiente, algo novo que realmente funcione, mas a "criatividade" para elaborar métodos também está esgotando-se frente à recusa dos condutores de seguirem normas, leis, orientações, seja qual for o nome dado. Então, o que fazer?

Alguns acreditam que punições mais severas, aí incluída a prisão, podem ser um caminho, mas, de qualquer forma, ao se chegar a isso, o mal já estará feito. A irresponsabilidade nas estradas, mais do que uma questão de segurança, é uma questão de vida ou morte - literalmente. Assim, mesmo punindo os infratores, sempre ficará o prejuízo emocional de quem perde um familiar ou torna-se incapacitado por sequelas permanentes. Porque, em um acidente de trânsito, as vítimas não são apenas os mortos e feridos. Seus reflexos atingem um número incontável de familiares e amigos, que, muitas vezes, também veem suas vidas alteradas para sempre diante de perdas e sequelas.


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