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Sem amarras, sem pressão

23 Março 2018 14:08:00

Se você é o que acredita, como poderá desacreditar a si mesmo?

Franciele Gasparini


(Foto: Divulgação)/


As pessoas estão doentes e estão adoecendo as outras. Você reparou na carência? As pessoas se sentem tão sozinhas que estão tentando aprisionar amigos, familiares e amores em pequenas jaulas intituladas "amor". Confesso que sinto muita dificuldade em entender alguns comportamentos mundanos.

Obviamente que também preciso aprender, evoluir, melhorar essa versão todos os dias, mas esbarrei, e continuo dando de cara com essa dificuldade em entender o motivo pelo qual as pessoas aprisionam as outras. Talvez seja uma forma de proteção, mas ainda assim não cabe no meu dicionário.

Comum ouvir frases como: Quem ama cuida. Cuida sim, mas não ao ponto de traçar os passos do filho no GPS, até porque, isso é muito Black Mirror. Quem ama dá importância. Com toda certeza, mas não se torna obsessivo ao ponto de querer traçar um roteiro para que o outro viva conforme seus passos.

O ser humano é único, coberto de defeitos e qualidades, mas com o propósito de experimentar a vivência terrena da melhor maneira possível, sempre pensando no próximo. E aí iniciam as ramificações que dificultam a convivência em sociedade, principalmente quando os valores de empatia se destorcem no meio do caminho.

Se colocar no lugar do outro é, também, respeitar seus limites, crenças, gostos e uma infinidade de pormenores que cada serzinho iluminado por Deus traz consigo ao nascer. Se você é o que acredita, como poderá desacreditar a si mesmo?

Observo de longe e de perto diversas situações obsessoras. Pessoas tentado dominar a vida dos outros, filhos tentando controlar os pais, e vice e versa, casamentos baseados em desconfianças, relações de amizade que se tornam verdadeiras obrigações, criando círculos viciosos e doentios que contaminam a boa convivência entre todos.

As pessoas estão doentes de vaidade e orgulho, e estão adoecendo seus pares, seus lares, seus dias. Ninguém é obrigado a nada. Quer dizer, ninguém está preso a nada e isso não quer dizer que não exista amor, mas sim, que existe um jeito saudável e prazeroso de se viver, que é amar a si e ao próximo sem as algemas da obsessão.

Sem escravizar um sentimento bonito como a amizade, o coleguismo ou o casamento. Nem sempre é fácil se libertar de certos vícios ou daqueles hábitos que já estão impressos nas nossas retinas uma vida inteira, mas aprender e viver com mais leveza é uma prática saborosa e que deve ser sorvida lentamente, como se faz com um café fresquinho.


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