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Qual o seu tempo?

01 Dezembro 2017 13:07:00

Precisamos ainda batalhar para ver o copo sempre meio cheio


(Foto: Divulgação)

Quem nunca teve uma crise que atire a primeira pedra. De repente ficou difícil respirar, nada consegue prender nossa atenção, roendo as unhas fica difícil fazer qualquer coisa mesmo, os olhos estão fixos, mas o pensamento longe, divagando, explorando os problemas que parecem apenas acumular na escrivaninha da vida. 

Esse é um cenário comum de crise, tão comum que é raro encontrar alguém que não tenha passado por momentos tensos como este. O estresse, aliado aos compromissos que não terminam costuma nos transportar para uma atmosfera nada agradável e traz consequências sérias para a saúde.

Nos tornamos ansiosos e a ansiedade reflete diretamente na mente, e no corpo. O relógio cansou de bater 24 vezes; aquele dia que passou voando até as quatro e meia de terça-feira, agora se arrasta. É uma sequência, pois iniciamos o dia num ritmo tão frenético, que quando temos um intervalo de certa calmaria, algo parece não encaixar, não é?

Estamos tão habituados a fazer cinco tarefas ao mesmo tempo, que quando temos "tempo" para fazer apenas uma, nada prende nossa atenção, o relógio fica lá, parado na relatividade do tempo.

Infelizmente ou felizmente os compromissos estão ali, empilhando-se, um a um, grande parte sem solução, pois tudo, no mundo moderno, é para ontem, não existe amanhã, nem depois, tudo é para o dia anterior, pois este já está no fim e acabei de lembrar que esqueci de salvar aquele documento importantíssimo, mas também esqueci de um aniversário importante, de um amigo que sente saudade, de tomar um sorvete sem pressa.

É que o dia passou e a rotina não nos deixa viver para valer, olhar o céu, o rio ou o rosto do vizinho demoradamente. Ninguém tem tempo, mas tem uma ansiedade que não acaba. A solução vem em potinhos, as cápsulas, em noites intermináveis de insônia, quando o corpo já adormeceu nos lençóis, mas a cabeça não para. Existe aquela frase de que as noites foram feitas para pensar, para os ansiosos é assim, o cérebro não para, nem por um minuto.

Nesse exercício cruel de enfrentar o relógio precisamos ainda batalhar para ver o copo sempre meio cheio. No entanto, o maior problema é quando se tem tempo e não se tem ânimo, vontade ou desejo e a única ação possível é deitar, olhar para o teto e pensar em nada. Você já pensou em nada? O que aconteceu com o nosso tempo? Lembra quando passar uma tarde andando de bicicleta durava uma vida inteira? Quando o Natal levava exatamente quase um milênio para chegar? Quando fazer dez anos parecia algo distante? Eu lembro, mas agora estou sem tempo.


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