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Palavras são armas

27 Outubro 2017 08:01:00

Não é 'coisa de criança' ofender, humilhar e ferir, física ou emocionalmente, outra pessoa

Tatiana Ramos


(Foto: Divulgação)

"As palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade". A frase do escritor Victor Hugo representa bem o poder que nossas palavras podem ter. Assim como servem para incentivar e consolar, também podem destruir e deixar marcas difíceis - às vezes, impossíveis - de serem apagadas.

Para quem duvida, basta recorrer à memória e, com certeza, resgatará muitas palavras que fizeram bem ou mal em um determinado momento, mesmo que tenham sido ditas há um longo tempo. Sim, as palavras ficam.

No trabalho de jornalista, o cuidado especial com as palavras faz parte da rotina. É preciso cautela e responsabilidade para deixar registrados atos e momentos que envolvem outras pessoas e, portanto, outras vidas. Mas não é só na profissão que precisamos dar atenção especial ao que dizemos. Na vida pessoal, entre nossos familiares, amigos e até inimigos, o cuidado com as palavras pode fazer a diferença entre discordar e ofender, por exemplo.

Os efeitos de uma palavra mal empregada podem ser avassaladores e, quando a pessoa atacada ainda está em formação de sua personalidade ou num momento de inseguranças e frustrações, o resultado pode ser ainda mais cruel. É o que sentem milhares de crianças e adolescentes vítimas de bullying. Para quem ataca, pode ser apenas uma brincadeira; para quem é atacado, é uma arma apontada, que às vezes pode ser mortal.

Sou de uma geração onde os desentendimentos dentro da escola eram resolvidos na hora, sem rancores ou efeitos colaterais. Muitas vezes, o "te pego lá fora" era a forma escolhida para resolver o impasse. Nada maduro, mas a forma que crianças e adolescentes encontravam para acertar as diferenças. Hoje, me surpreendo com as consequências de apelidos e provocações dentro e fora das escolas. Crianças e adolescentes podem ser cruéis em suas palavras e ações e precisam ser ensinados sobre respeito e tolerância com a diferença do outro. Não, não é "coisa de criança" ofender, humilhar e ferir, física ou emocionalmente, outra pessoa. Como mãe, trago como minha responsabilidade ajudar a formar uma pessoa de bem, que tenha em sua formação valores como respeito, cordialidade e gentileza. Mesmo que a maior parte dos casos de bullying ocorra dentro das escolas, acredito e defendo que os principais responsáveis por corrigir essas atitudes são os pais - os professores entram como parceiros nessa causa.

É preciso dar atenção, orientar e corrigir quando necessário. Se não for por questões de valores internos, mas por responsabilidade civil, uma vez que, hoje, o bullying já pode ser enquadrado como crime. Aliás, um crime tão sério que pode desencadear uma série de outros crimes ainda mais graves. E ninguém quer estar na mira - nem de armas, nem de palavras.


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