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Humanizar-se

22 Junho 2018 14:12:00

O mínimo que devemos aos outros seres humanos, aos animais e a todas as formas de vida do universo é respeito


(Foto: Kalyane Alves) 

Para quem vive em Curitibanos a violência costuma ser um assunto pouco usual nas rodas de conversa. Até pouco tempo sentíamos numa bolha, protegidos de agressões, talvez praticando aquele hábito bastante comum e muito negativo de "comigo não acontece". 

Cidade pacata era o que mais ouvíamos por aí e até propagávamos para quem vinha de fora, mas assim como quem vive numa bolha chega o momento de acordar, e nós, curitibanenses, explodimos a nossa bolha faz um tempo.

Somente este ano, na região de Curitibanos, presenciamos homicídios, tentativas, latrocínios, roubo seguido de morte ou outros tipos de violência que engrossam a fila de inquéritos policiais na 24ª Delegacia de Polícia de Curitbanos, chamando a atenção das autoridades policiais para um índice bastante negativo.

De um lado, a Polícia Militar de Curitibanos motivando a população para tornar-se multiplicadora da segurança de suas comunidades, através do Programa Rede Vizinhos, sistema que visa melhorar a sensação de segurança da população e inibir a ação de pessoas mal-intencionadas.

Na localidade do Potreiro dos França e Campo da Roça, próximo à UFSC, o pedido pela implantação do Rede Vizinhos surgiu após a morte do aposentado Heraclides do Prado, 84 anos, vítima de latrocínio. Foi espancado por criminosos em sua propriedade.

De outro, duas jovens sofrem agressões verbais e físicas na saída de uma casa noturna de Curitibanos no último fim de semana. O motivo? Homofobia. Um levantamento realizado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), que tem como base informações divulgadas em veículos de comunicação do país, registrou que somente no ano passado 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais foram mortos em crimes motivados por homofobia.

Fatos como os registrados em Curitibanos e em todo o país nos colocam a pensar em como o ser humano está doente.

Viver em comunidades intolerantes, irracionais e preconceituosas parece não se encaixar no mundo no qual eu vivo, mas principalmente no ideal de sociedade que eu desejo à minha pessoa, enquanto cidadã, e para meus semelhantes.

O mínimo que devemos aos outros seres humanos, aos animais e a todas as formas de vida do universo é respeito, e como a própria palavra diz no dicionário: agir com dignidade, ter consideração, assemelhar-se. Assim como a segurança está entre os itens de maior importância para um cidadão que também prioriza saúde e educação, respeitar o próximo é o básico de uma convivência em sociedade, respeitar suas escolhas, seus sonhos, sua identidade, as raízes, humanizar-se.


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