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Fomos todos agredidos

28 Agosto 2018 09:58:00

Ficamos impotentes diante de tamanho desrespeito com nossa própria história

Rubiane Lima


(Foto: Divulgação)

A imagem de uma face inchada e com marcas roxas, tomou os noticiários estaduais durante esta semana. O que pensávamos estar distante, ser "coisa de cidade grande", aconteceu bem aqui, na nossa Curitibanos, quando no exercício de sua função, um professor de Matemática foi agredido por aluno dentro da escola.

Eu não conheço pessoalmente o professor Johnny Tessari da Cunha, mas hoje, #somostodosjohnny, pois de uma forma ou de outra, todos fomos agredidos e ficamos impotentes diante de tamanho desrespeito com nossa própria história que, geralmente, começa nos bancos escolares.

É comum que mães e avós nos contem que eram de uma época onde o sonho das pessoas era estudar para se tornar professor e quando isso acontecia, a família toda ficava orgulhosa pela profissão alcançada pelo filho ou neto. Os tempos estão mudando e com eles, há uma crescente desvalorização daqueles que são um dos responsáveis pela base educacional de todas as pessoas.

O rosto machucado de Johnny é apenas mais um entre muitos. A solução para este quadro não está, necessariamente, apenas na Educação, também passando pela Segurança Pública, Saúde e Cultura e poucas situações deixam mais clara a necessidade da intersetorialidade de políticas públicas para suprir estas necessidades de mudança.

No meio onde fui criada, levantar a voz para um adulto era algo inadmissível e se tratando de um professor, ele tinha que ser tratado como autoridade máxima dentro e fora da escola. Foram os meus professores que me ajudaram a escolher a profissão que exerço há mais de dez anos. Jamais esquecerei minha amada professora de Português Neiva Wiggers, que hoje é uma estrelinha no céu. Ela chamava a todos de "brasileirinhos" e viu em mim, uma facilidade para escrita que nem eu sabia que tinha. Tudo que sei de interpretação, amor por literatura, escrita, leitura de jornais e convivência com outros meios, aprendi boa parte com ela, com quem eu passava os intervalos inteiros conversando e tendo perguntas respondidas. Para mim, é assim que o professor deve ser lembrado, pois nos ajudam na preparação para vida adulta e ficam marcados para todo o sempre em nossa história.

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