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De onde vem?

12 Janeiro 2018 08:45:00

Ficou fácil comer, mas não tão fácil assim produzir


(Foto: Franciele Gasparini) 


Estamos perdendo velhos modelos de vivência que deveriam ser sempre novos, sempre postos em prática, relembrados a cada refeição. Prova disso é o projeto de viticultura realizado em todas as comunidades do interior de Curitibanos. 

Uma prática antiga, mas que tem ganhado novo sentido nas mãos de agricultores tem levado também um pouco de motivação e esperança para o homem do campo. A produção de uvas, do suco da fruta e do vinho pode se tornar uma das alternativas de renda futura para muitas famílias curitibanenses.

Lembro do período de férias na casa dos meus avós paternos, janeiro e fevereiro eram os meses de colheita das uvas, o cheirinho da fruta nos inebriava até os parreirais, local estritamente proibido para as crianças.

Felizmente a família é grande e pelo menos dez trombadinhas, entre cinco e dez anos, esgueiravam-se pela lavoura de posse de uma vasilha à procura das uvas docinhas que o vô Bepe cultiva em sua propriedade. O delito era simples e sempre resultava numa bronca daquelas! E na última semana pude reviver alguns desses momentos da infância enquanto acompanhava a equipe técnica do projeto de viticultura da Prefeitura de Curitibanos e da Epagri, para a produção de uma matéria sobre o tema.

Observando a dedicação das famílias na manutenção dos parreirais e da equipe técnica, que acompanha de perto o desenvolvimento das videiras observei o quanto ainda precisamos valorizar a mão de obra agrícola.

Numa sociedade sem tempo, a comida embalada que era artigo de luxo virou rotina, perdeu a graça comprar carne, pão, bolo, tudo fatiado, pronto, instantâneo. Certamente nem eu, nem você, paramos para pensar de onde vem o alimento que está lá, com sorte, três vezes por dia, ou sempre ao alcance da mão, nos armários e prateleiras, ao telefone, pois hoje é só ligar e pedir, não é? Ficou fácil comer, mas não tão fácil assim produzir.

Sujeitos ao clima, as condições financeiras, às pragas, à sorte, o agricultor prepara o solo, planta e passa meses cuidando, no mínimo uma hora por dia, verdadeiro vigilante da lavoura e o resultado é sempre incerto, mas esperado com extrema expectativa. Essa mesma expectativa enche os olhos, a boca e estômago de quem vai até o supermercado à procura dos frutos saborosos, mas dificilmente o consumidor para pensar em todo o trabalho, suor e dedicação que o alimento recebeu antes de chegar até a mesa. Valorizemos mais a agricultura de subsistência.


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