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A diferença que uniu

11 Maio 2018 10:27:00

Fazemos do nosso dia a dia o que aprendemos ser perfeito

Rubiane Lima



Ela gosta de cabelo curto, eu do estilo Pocahontas. Ela gosta do branco, eu só uso preto. Ela adora brilho e cores, eu da discrição das cores neutras. Ela gosta de churrasco, eu me amarro num sushi. Ela curte um casamento, eu moro sozinha há quase oito anos. Ela gosta de telejornal, eu sou louca por um impresso. Ela dança baile, eu curto um rock. Ela não perde um jogo de vôlei e eu fico semanas só vendo séries. Ela fuma, eu tenho asma. Ela gosta de praia, eu prefiro o cheiro do mato. Ela toma chimarrão, eu sou movida a café. Ela tentou me colocar no balé, invernada artística, grupos de jovens, mas eu preferia meu quarto e meus livros. E por fim, mas não menos diferente, ela é loira e eu morena. 

Desde que me entendo por gente, essas diferenças foram marcando nossa convivência e foi aí que aprendemos que a vida não é feita de iguais. Não foi um início desejado. As condições financeiras não eram favoráveis, mas a vida foi se ajeitando. Seis anos depois, um acidente automotivo levou embora um pai e com ele, todos os planos e as certezas de futuro, mas ela não desistiu. Pelo contrário, recomeçou do zero, perdeu o medo de dirigir, encarou as contas, reformou a casa e se empenhou em dar aos filhos todas as oportunidades que não teve.

Erramos muito e nossa convivência no dia a dia nunca foi um mar de rosas, pois até entendermos que eram exatamente as diferenças que nos uniam, caminhamos por longos e tortuosos caminhos. Mas não somos seres perfeitos e esse é o maior barato da vida!

Hoje ela tem o dobro e mais um pouquinho da minha idade, não moramos mais na mesma cidade há mais de dez anos e mesmo não tendo a vida de comerciais de margarina ou dos textos de homenagens em redes sociais, fazemos do nosso dia a dia o que aprendemos ser perfeito.

Nem sempre ela concorda com minhas escolhas, nem eu com as dela, mas criamos nosso próprio tratado de respeito e hoje, agradeço aos céus todos os dias, pela mãe que eu recebi, cheia de qualidades, energia, defeitos, disposição, sonhos e tudo que alguém normal é capaz de ter. Te amo e agradeço, mãe, e tenho o maior orgulho de chegar em Correia Pinto e não ser mais a Rubiane, mas sim, a filha da Dona Marlene!

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