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TRAIÇÃO

03 Junho 2018 07:00:00

Um teste drave na fidelidade

Carlos Homem


(Foto: Divulgação) /


Doutor... vou matar minha mulher! A desgraçada me traiu! Sério? Há quanto tempo o senhor é casado? Vinte e cinco anos. Nossa! E só agora o senhor resolveu tomar uma iniciativa inteligente dessas? Mate logo, mas... diga-me uma coisa: o senhor nunca traiu sua mulher? Bem, isso não tem nada a ver! Homem é homem! Ah... bom... então tá! O senhor já imaginou que sua mulher merece uma homenagem? Verdade, sem brincadeira nenhuma! Afinal de contas uma mulher cometer uma única traição depois de dormir vinte e cinco anos com o mesmo homem não é digna de louvor? Puxa... meu amigo!

Transar com o mesmo homem durante vinte e cinco anos exige uma dose cavalar de paciência, não é mesmo? O senhor vai botar tudo a perder por causa de meia horinha que ela separou pra matar a curiosidade? Pra fugir do fastio que a rotina estabelece? Quem não tem essa fantasia de ver se é mesmo tudo igual? Ela pode ter pensado: Quem sabe um outro saiba de coisas que eu ainda não experimentei algumas cambalhotas criativas, ou, talvez, fugir da mesmice apimente o prazer?

Afinal de contas o sexo não é feijão com arroz que é sempre igual e jamais enjoa! Calma, tenha calma! Uma puladinha de cerca, depois de vinte e cinco anos, não é um pecado tão feio assim! Mas e os chifres, doutor? Não nasci pra ser galhudo! Bem... bem... chifre é uma coisa que só se nota na cabeça do bode, na cabeça da cabra é invisível, não é mesmo? E o senhor, quantas vezes já furou o alambrado? Isso é outra coisa. Não dá prá comparar. Está no DNA do homem! O macho é reprodutor! Traição do homem não é amor, é tesão! Hummm... sei, sei. Desculpas para galinhar o homem sempre tem, não é verdade? Escute aqui homem, uma mulher trepar com um mesmo companheiro durante vinte e cinco anos, é claro que um dia tem que vazar por um lado ou pelo outro.

Ela com certeza queria matar a curiosidade, sentir o doce gosto do proibido. Um teste drave na fidelidade. Comparar o funcionamento do novo em relação ao velho. Aquela vontade de se autoafirmar, de sentir-se sexy e sedutora. A monotonia vulgariza o ato, tira o prazer, mas a novidade incentiva, certo? Quem sabe esse cara com quem ela se envolveu seja um profundo conhecedor do Kama Sutra? Um exímio contorcionista que a levou para o céu? Ela apenas saiu do armário do puritanismo por um breve momento. Quer saber de uma coisa?

O senhor volte para sua casa, guarde esse revólver no lugar onde já estava, finja que nada aconteceu e perdoe sua mulher. Matá-la vai dar muito mais trabalho e dissabores! E pense bem: Quem trai é sempre culpado pelo ato em si, mas as razões que levam a chegar nesse ponto sempre envolvem muitas outras coisas, inclusive os tropeços do traído.


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