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SEPARAÇÃO

28 Julho 2018 08:30:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Foram tantos os processos que atendi na área do direito de família, ao longo de muitos anos, que na observação desses conflitos acabei tirando algumas conclusões. Nunca surtiram efeitos meus apelos aos casais que antigamente se desquitavam e que nestes tempos se divorciam que procedessem com racionalidade. 

Parei de argumentar e busquei compreender. A separação de pessoas que conviveram por anos na intimidade, deixando que o outro desvendasse seus segredos mais íntimos, causa uma fissura impossível de remendar. A ferida da alma é muito mais dolorida. Incicatrizável. É bizarro ver o comportamento irracional e destemperado entre adultos presumivelmente educados. No terreno dos afetos rompidos não existe ponderabilidade.

Vi, em certos momentos, casais que se odiavam há muitos anos, mas que não abriam mão do casamento, acusando sempre o companheiro pelas suas mazelas. O culpado é sempre o outro em tais relacionamentos corroídos. Mas faziam, e é provável que ainda façam uma teimosa questão de manter o cônjuge acorrentado indefinidamente a um matrimônio sucateado. Se não posso ser livre e feliz, que o outro também não seja é um raciocínio autodestruidor alimentado pelo ódio embutido. Anotei, muitas vezes, na tentativa de conciliar o inconciliável, que os casais se acusavam reciprocamente por que queria cada um, individualmente, ser ele mesmo.

"O AMOR É EFÊMERO E PERDE MUITO LIGEIRO O  ROMANTISMO" 

O jeito de ser e as atitudes que antes pareciam perfeitos passam a ser vistos como defeitos. Os olhos do casamento a partir de um momento começam a ver coisas que antes não viam. O amor é efêmero e perde muito ligeiro o romantismo. Amor e ódio vivem abraçados! O jeito então é serem infelizes juntos. Com desencanto registrei vezes incontáveis, que na separação judicial dos casais, eventualmente pouco importava para um, ou para o outro, a cômoda divisão dos bens comuns.

O objetivo maior era castigar, punir, criar embaraços, protelando com vingativa morbidez uma solução definitiva. Embora nunca me interessasse saber sobre a intimidade dos casais separados, ouvia com frequência trocas de agressões com acusações de tarado porque um gostava mais de sexo, ou de frígido, porque o outro gostava menos. Na verdade, em tais circunstâncias ambos são vítimas e ambos são algozes. Conviver sempre foi a maior dificuldade do ser humano.

Duas culturas originárias de famílias com costumes diferentes, com cacoetes, esquisitices, gostos e personalidades próprias, morando juntas, é inevitável que o dia a dia acabe causando colisão.

Daí são casais que apenas moram sob o mesmo teto, que já quase não conversam que mantêm um mutismo torturante. Preferem calar-se a deflagrar hostilidades. A verdade é que na separação não adianta querer provar quem está errado, quem está certo. Superação e opção para uma nova vida é que deve ser o norte.

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