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Sabidos

16 Setembro 2018 09:00:00



Não é novidade nenhuma e todos já viram ou ouviram a mesma história. Os pais, depois de anos de luta e trabalho, seja em atividade liberal ou em pequenas atividades comerciais, criam e educam seus filhos. Dão-lhes um curso superior à custa de muito sacrifício. Aí, então, o jovem, agora formado em qualquer profissão, enche-se de idéias luminosas. Resolve mudar aqui, reformar ali, incrementar acolá. Em tais circunstâncias nem poupam comentários como: "o pai está superado", "os velhos estão vencidos", "as coisas hoje não podem ser administradas dessa forma", e vai por aí a fora, quando não dizem, sem muita cerimônia, que o "velho está gagá". São os ilusionários gestados pela inexperiência. Como portam credenciais de filhos, acabam convencendo, ou coagindo, os pais a modificar aquilo que até ali os sustentou e educou.

Vencem a resistência e a cautela dos mais velhos que se curvam muitas vezes para evitar conflitos domésticos. Pronto! A coisa começa a degringolar. Aumentam as despesas, investem em aparências supérfluas, arriscam em projetos, aventuram-se em temerárias experiências. Nem percebem que entre a prática e a teoria há uma astronômica distância. Na maioria nem são capazes de calcular o custo na aquisição e projetar o preço das vendas. Não é raro ouvir filhos dizerem: "O pai é burro!". Só que o sabido, via de regra, em seis meses enterra a atividades que até ali manteve todos os da família. E também dos empregados. Claro, administrar despesas é muito fácil!


"Não é raro ouvir filhos dizerem:

'O pai é burro!'"


Difícil mesmo e produzir rendas e recursos. Também por esta razão primeira é que na administração pública os entes, quase todos, quebram. O administrador público, como o jovem novel na administração privada, não tem preocupação com produzir fontes de recursos. Apenas autorizam despesas. Navegam em águas ilusórias! Tolos é que são. O mundo é pródigo em contingências e imprevistos que não dependem da exclusiva vontade de cada um. Não se administra nem um boteco de banana confiado apenas nos instintos.

Muitas vezes, lastreados em empréstimos bancários, investem em ideias imaturas ou irracionais. Afundam aquilo que custou anos de trabalho. Pecam pelo voluntarismo. Não se dão conta que em qualquer novo empreendimento surgem os tropeços da falta de mão de obra qualificada, de uma legislação trabalhista onerosa e anacrônica, da sanha voraz dos fiscos, da cruel aplicação do rigor das leis por entidades exóticas que se intitulam protetoras disso ou daquilo, da ditadura funcional pública que vê no empresário um inimigo do Estado. Jovens com liderança e arrojados são necessários sempre e em qualquer lugar. Mas sem a presunção de que são mais sabidos que aqueles que os educaram.


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