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Revogação do inferno

26 Maio 2018 00:05:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Claro que vão me chamar de louco. Pois que chamem! Na loucura há também uma boa dose de sabedoria. Então estive pensando em escrever uma carta para o Papa. Uma missiva bem fundamentada e convincente. Cheia de ora-pro-nóbis! Ele é aqui do nosso lado e latino como nós, apesar de ser argentino.  

Um vigário simpático de quem gosto muito. Vai entender minha preocupação e também, porque advogo em causa própria nesta questão. Mas vou pleitear a revogação, e por consequência, a extinção do inferno. Já revogaram o limbo (aquele lugar para onde iam os que não eram, mas eram) e o inferno, por quê não? Afinal, a existência dessa fornalha perpétua para onde vão as criaturas pecadoras como eu é pura sacanagem!

Uma religião, seja ela qual for, não pode permanecer assentada sobre promessas de castigos e torturas, nem acenar que vamos servir de picanha na brasa para aquele sujeitinho desagradável conhecido pela alcunha de capeta.

Acredito até que o Pontífice nem tenha competência legal para isso já que essa matriz do martírio é uma criação pagã. Esse caráter opressor da religião está vencido. Tudo evolui e adequa-se. Uma religião, seja ela qual for, não pode permanecer assentada sobre promessas de castigos e torturas, nem acenar que vamos servir de picanha na brasa para aquele sujeitinho desagradável conhecido pela alcunha de capeta.

Penso até que o satanás, pé-redondo, beiçudo (não confundir com o Gilmar Mendes), está de saco cheio na administração da churrasqueira infernal. Já calcularam o tamanho do brasido? E as despesas para manter aquela diabada toda que atendem os roletes incandescentes pela eternidade? Posso inclusive colher milhares de assinaturas num abaixo-assinado em favor deste meu projeto.

Pecar é uma das raras coisas boas que temos neste mundo, mesmo com a ameaça do inferno. Aliás, o Papa Francisco já admitiu, embora depois tenha desmentido, que o inferno não existe.

Quem sabe até granjear a simpatia dos estudantes que sempre defendem, com o fervor religioso dos marxistas, em termos vagos, a reinvenção do mundo e a extinção de toda ordem sob protestos e violências. Na convocação dos Cardeais, tenho certeza que o lobby dos pecadores vai ter uma força danada para garantir o quórum mínimo. Já imaginaram que beleza? Pecar é uma das raras coisas boas que temos neste mundo, mesmo com a ameaça do inferno. Aliás, o Papa Francisco já admitiu, embora depois tenha desmentido, que o inferno não existe.

Essa fogueira religiosa serviu como repressão sexual e manipulação política por séculos. Agora, pelo que se vê, não tem mais nenhuma serventia. Liberou geral! A humanidade perdeu o medo! E a crença! É sabido que nós os humanos temos uma propensão recorrente para negociar, trocar uma coisa pela outra, adquirir coisas novas, eliminar as velhas.

O inferno já virou sucata faz tempo, não é verdade? Para que manter uma estrutura diabólica dessas? Então que seja extinto ora bolas! Se eu conseguir que o Papa atenda e defira meu pedido, vou ficar conhecido como o homem que dinamitou o inferno! Vai faltar espaço no meu peito para tantas medalhas. Quem sabe até um prêmio Nobel.

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