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OPINIÃO

Ressaca eleitoral

'Na vitória as coisas são coloridas...'

Por Carlos Homem


(Foto: Rubiane Lima)/

Quando são divulgados os resultados das eleições, os vencedores comentam com seus auxiliares de campanha que tudo o que fizeram, ou o que disseram, foi correto, foi ótimo, que foram inteligentes as estratégias. Tudo foi de bom gosto. Na vitória as coisas são coloridas, como uma ardente lua de mel! Já os vencidos, é inevitável, buscam culpados pela derrota. Ou porque não deviam ter feito isso ou aquilo, que certas coisas não deviam ter sido ditas, que os eventos eleitorais não foram bem planejados, e vai por aí a fora. Trocam, muitas vezes, acusações e imputações de culpas recíprocas pelo fracasso. Na vida, como um todo, também é assim.

Quando temos sucesso entendemos que foi por mérito nosso. Quando algumas coisas nos frustram, procuramos justificativas e normalmente culpados. Nessa campanha, a primeira da minha vida onde não estive diretamente envolvido, assisti de camarote e com a cabeça fria todo o espetáculo eleitoral do município. Na minha ótica, talvez caolha, penso que o candidato do 22 deu uma largada excelente e contagiante. Parecia naquele momento que ganharia a eleição. Era o que se ouvia aqui e ali. No entanto, a partir da divulgação de um áudio com imagem nas redes de whatsapp e facebook, que é difícil entender como vazou, onde dava instruções para uma das suas assessoras de campanha fazer representações judiciais inócuas contra adversários "mesmo que não desse em nada", e também "anônimas", quebrou o encanto da sua jovem imagem. O tropeço viralizou e lhe foi fatal. Desidratou-se a partir dali. Tive a nítida impressão que ele arriou a bateria com aquela derrapada.

A ansiedade sempre foi mãe da imprudência!

Já o debate, assistido por um público muito reduzido, em torno de 1.500 pessoas, e com certeza quase todos diretamente ligados aos candidatos, não acredito que tenha causado nenhum efeito prático. Debates em pequenos municípios são insossos e infrutíferos! Até mesmo porque os candidatos só respondem com o óbvio. Ficam engessados, enroladores, maçantes, monótonos, chatos! E inseguros também!

Agora, se tivesse que decidir quem venceu aquele baldado bate-boca, com certeza daria a taça para o Tanner do 19. Foi mais ousado, mais realista, mais verboso, mais combativo, mais autêntico. Só que, sem condições financeiras, sem estrutura partidária, sem tradição política, um candidato a prefeito só no gogó não deslancha. Sonhador! É o que ele foi!

Já o candidato vencedor do 15/55, montou confortavelmente num cavalo fogoso e cuidadosamente pré-encilhado. Tinha o apoio do Prefeito e de ex-prefeitos, além da coligação de duas legendas fortíssima aqui destas paróquias (mdb/psd). Surfou em ondas cômodas e favoráveis. Penso também, porque pensar é de graça, que o grande vencedor foi o Prefeito Dudão, ratificando sua liderança política. O maior derrotado nessa liça foi o deputado Berlanda. Aliás, teve ele uma pífia e pálida participação na dinâmica da campanha. Saiu dessa bem chamuscado! Vai sofrer perdas irreparáveis para suas pretensões de reeleição. Quem viver verá! Uma conclusão, porém é certa: começou um novo ciclo na política doméstica, com o aparecimento de jovens lideranças.    

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